AGENDA XXVII Fandango da Prenda JovemConcurso de Prendas RegionaisReunião de Patrões “Os salões se transformam quando tu, prenda jovem resplandece a brilhar, traz o encanto das flores no teu olhar. Te recebemos com alegria para uma valsa dançar, que todos teus sonhos, menina, se embalem no teu valsear. O CTG Alexandre Pato, vem contigo sonhar, te desejando menina, teu sonho nunca acabar.” A Patronagem do CTG Alexandre Pato sentir-se-a honrada com sua presença no XXVII Fandango da Prenda Jovem a realizar-se no dia 29 de agosto de 2009, na sede social do CTG Alexandre Pato, ás 23 horas, com o conjunto Sinuelo Pampenano. Esperamos você para sentir a alegria de estarmos juntos neste grande baile. 40ª Ciranda Cultural de Prendas. 22º Entrevero Cultural de Peões – Fase Regional. Local: CTG Sentinela da Querência de Vacaria. Início: 9h - prova escrita. Horário: 9h. Local: CTG Rancho da Integração, em Vacaria. Realização: 8ª Região Tradicionalista. CULINARIA Coração de boi recheadoArroz de CarreteiroTatu na panelaCharque aceboladoEspinhaço com ArrozEspinhaço de ovelha ensopado com batatasEnsopado de carne com aipimBife de fígado aceboladoMatambre enroladoMondongo (bucho ou dobradinha)AmbrosiaSobremesa - Doce de AbóboraSobremesa - Rapadura de AmendoimSobremesa - Rapadurinha de LeiteSobremesa - SagúSopa GaudériaPucheiroMocotóEspinhaço Ensopado com Batatas Ingredientes: 1 coração 14kg de lingüiça 14kg de miúdos de galinha 1 cebola média 1 molho de tempero verde 1 pimenta verde manjerona ovos 2 colheres de manteiga Modo de preparo: Limpar o coração de excesso de sebo. Retirar as divisões internas das urículas e ventrículos. Fritar os temperos picados, com exceção da salsa e cebolinha. Tirar a pele da lingüiça e fritar a massa juntamente com os miúdos da galinha cortados em guisado pequeno. Bater os ovos misturando-os com os miúdos e a lingüiça frita, depois de retirado do fogo. Salgar por fora o coração com a mistura da manteiga e sal. Assar no forno ou no espeto. (se for no espeto, passar manteiga de quando em quando). Ingredientes: 200g de charque 4 colheres (sopa) de óleo 5 dentes de alho picados 1 cebola grande picada 4 tomates picados 3 pimentões picados 350g de arroz sal a gosto Modo de preparo: Leve ao fogo uma panela com água até ferver. Adicione a carne e deixe por meia hora. Retire do fogo, escorra a água e corte a carne em pedaços pequenos. Em uma panela, aqueça o óleo, junte o alho, a cebola, o tomate e o pimentão. Deixe cozinhar por cerca de 8 minutos, mexendo de vez em quando. Em seguida, junte o arroz, um pouco de água fervente e deixe cozinhar por 15 a 20 minutos. Adicione sal, se necessário. Dicas: Charque é uma carne salgada e curtida à sombra. Ingredientes (6porções) 1 pedaço de tatu (lagarto) 1 xícara de cebola picada 1 xícara de cerveja 200g copa ou salamito sal pimenta Modo de preparo: Colocar o tatu de véspera num tempero de cebolas cortadas, cerveja, pimenta e sal. Não furar a carne para não sair o suco, pois o tatu pode ficar muito seco depois. Numa panela de ferro bem quente, dourar as cebolas e colocar o tatu para fritar bem, de todos os lados, colocando um pouco de água, se necessário, para que a carne não queime. Acrescentar a copa ou salamito em fatias fininhas para fritar rapidamente, e em seguida o tempero em que o tatu ficou de molho na véspera, completando com um pouco de água. Tampar panela e deixar cozinhar. De dez em dez minutos dar uma mexida para virar a carne e revolver o molho. É importante não deixar a carne grudar no fundo da panela. Quando a carne estiver no ponto ideal e o molho reduzido, retire da panela e corte em fatias. I - O tatu é a forma de chamar a parte do boi denominada lagarto em outros lugares. II - Este prato tem na massa um acompanhamento ideal. Pode-se fazer render o molho com um pouco de água, engrossando com uma colher de farinha de trigo, utilizando-o para cobrir a massa. III - O tatu geralmente é vendido em pedaços inteiros. Não custa lembrar que o tatu pequeno é de boi mais jovem, muito mais macio. IV - Quando o tatu estiver duro, prolongue o cozimento, tendo o cuidado de acrescentar água para não secar o molho. Ingredientes: 500g de charque 2 cebolas graúdas fatiadas 100 g de bacon 1 colher (sopa) de vinagre balsâmico pimenta-do-reino a gosto Modo de preparo: Lave a carne e deixe de molho em água fria por 12 horas. Escorra, corte em cubos grandes e cozinhe em uma panela de pressão para que fique macia, cerca de 40 minutos. Deixe esfriar, escorra e desfie grosseiramente. Corte o bacon em cubos e coloque em uma frigideira juntamente com o azeite. Doure os pedaços de bacon e escorra-os, reservando para outra finalidade. Na gordura que ficou na frigideira frite bem as cebolas. Adicione a carne desfiada e frite por mais alguns minutos. Tempere com pimenta-do-reino e regue com o vinagre. Misture e sirva salpicando com salsinha picada. Ingredientes: 1 e 1/2kg de espinhado de ovelha 2 cebolas 4 dentes de alho 4 tomates folhas de manjerona pimenta-do-reino 3 xícaras de arroz Modo de preparo: Tempere as chuletas do espinhaço com alho esmagado, sal e pimenta-do-reino. Coloque-as para fritar. Quando estiverem no ponto, junte as cebolas, os tomates picados e as folhas de manjerona. Quando estiver tudo frito, coloque o arroz, mexendo sempre por uns 3 minutos. Depois, adicione água fervendo até dois dedos acima dos ingredientes. Cozinhe em fogo brando. Ingredientes (6 porções) 2kg espinhaço 2kg batata inglesa 1 xícara Modo de preparo: Cortar o espinhaço nas juntas, temperá-lo com sal, pimenta e limão e fritá-lo em banha bem quente. Quando estiver bem frito acrescentar a cebola, o alho, os tomates e a manjerona, misturando bem. Adicionar um pouquinho de água, para não grudar e, quando ferver, acrescentar as batatas cortadas em cubos. Colocar água suficiente para cobrir as batatas, tampar a panela e cozinhar uns 10 minutos. Verificar o sal, acrescentando mais se necessário e cozinhar mais 30 minutos, aproximadamente. Ingredientes 1 12kg de patinho 2 Colheres de sopa de óleo 1 Cebola 4 Tomates sem pele e sem sementes 1 dente de alho Sal 1kg de aipim Modo de preparo: Cortar em dados 12kg de patinho e refogar no óleo com 1 cebola, 4 tomates sem pele e sem, sementes, picadas, 1 dente de alho esmagado e sal. Á parte, descascar e cortar a mandioca, também em dados, e acrescentar, na panela, misturando bem a carne. Adicionar água sempre que necessário par que a mandioca fique no seu ponto ótimo de cocção. Ingredientes (4 pessoas) 8 bifes médios 200g de toicinho 4 dentes de alho 1 pitada de pimenta do reino 1 colher de sopa de massa de tomate Modo de preparo: Esmague os alhos e misture vem com o sal, pimenta do reino e o suco de limão. Tempere os bifes e deixe descansar por 1 hora. Corte o toicinho em tiras finas. Coloque 1 ou 2 tiras de toicinho em um bife e enrole, prendendo com um palito espetado. Ponha os bifes a fritar em gordura quente, e coloque 1 colher de massa de tomate diluída em meio copo de água, misture e deixe ferver por mais 5 minutos. Ingredientes: 1 e 1/2 kg de matambre 1 maço médio de cheiro verde 3 cebolas médias 4 dentes de alho 1 pimenta dedo-de-moça picada 100 g de bacon picado 250 g de lingüiça de porco picada óleo de soja para fritar sal a gosto Modo de preparo: Lave a carne, seque-a, retire as aparas e tempere-a com sal dos dois lados. Reserve. Lave o cheiro-verde, separe somente as folhas e pique finamente. Descasque as cebolas e pique-as em pedaços bem pequenos. Descasque o alho e corte em tiras finas. Numa superfície lisa, abra a carne com a parte gordurosa para baixo. Espalhe o cheiro-verde, as cebolas, o alho, a pimenta, o bacon e a lingüiça. Enrole a carne como um rocambole e amarre com um barbante bem grosso. Prenda bem para o recheio não escapar. Coloque 1 litro de óleo na panela de pressão, disponha o matambre, tampe a panela e leve ao fogo por 2 horas. Na metade do tempo de cozimento, retire a panela do fogo e vire o matambre de lado. Disponha a carne numa travessa, retire o barbante e corte em fatias de 2 a 3 cm de largura. Dicas: O matambre (carne localizada entre o couro e a costela do boi) é tradicionalmente assado no braseiro, coberto com papel-alumínio (a 50 cm de distância da brasa) por 5 horas, virando-se a carne a cada meia hora. Depois elimina-se o papel-alumínio e deixa a carne dourar por mais 1 hora. Ingredientes: 1kg de mondongo 1 cebola 2 colheres de sopa de óleo 2 tomates sem pele e sem sementes tempero verde sal 14 de farinha de mandioca Modo de preparo: Limpar o mondongo e aferventá-lo por 1 ou 2 horas, conforme a idade do boi (novo ou velho) para amolecer, colocando sal depois de meio mole, para não ressabiar. Limpar novamente e cortá-lo em tiras. Fazer um refogado com a cebola picada, gordura, os tomates em pele e sementes e tempero verde picado, sal a gosto. Acrescentar o mondongo refogando bem, adicionar um pouco o caldo. Minutos antes de servir, engrossar levemente o caldo com farinha de mandioca. Ingredientes 2 copos de leite 3 xícaras de açúcar 4 ovos inteiros Cravo e canela Modo de fazer Dissolver o açúcar no leite e depois levar ao fogo, quando começar a ferver, misturar rapidamente os ovos, cravo e canela e deixar meia hora fervendo. Procure não mexer, apenas sacudir a panela. Ingredientes 2,7 quilos de abóbora cortada em pedaços grandes 3 colheres (sopa) de sal 3 colheres (sopa) de açúcar Cravo e canela em pau Modo de fazer Coloque a abóbora de molho no cal e deixe por cerca de 6 horas. Escorra e lave bem lavada. Acrescente o açúcar e água até formar uma calda consistente. Coloque os pedaços de abóbora e deixe cozinhar até ficar macia, mas sem desmanchar. Se gostar, pode cozinhar com pedaços de cravo e de canela em pau. Ingredientes 500 gr de açúcar mascavo 500 gr de amendoim 1 lata leite condensado Leite Modo de fazer Colocar água até que cubra o amendoim, levar ao fogo. Colocar o leite e o leite condensado quando começar a estourar. Ingredientes 1 litro de leite ½ quilo de açúcar Manteiga para untar Modo de fazer Misturar o açúcar com o leite, levar ao fogo mexendo de vez em quando, até engrossar, mexer sempre até soltar da panela. Retirar do fogo e bater até pegar o ponto. Colocar num prato untado com manteiga e cortar em quadradinhos. Ingredientes 1 litro de vinho tinto 1 litro e ½ de água 300 gr. de sagú ½ de açúcar Cravo e canela à gosto Modo de fazer Colocar o vinho, a água, canela e cravo a ferver. Quando levantar fervura, acrescentar o sagú. Quando as bolinhas brancas do sagú desaparecerem, acrescentar o açúcar e desligar. Ingredientes 700 g de pescoço de cordeiro 100 g de tomate 25 g de cebola 17 g de sal 25 g de pimentão (Opcional) 17 g de sal, 300 g de batata inglesa 30 g de óleo 200 g de arroz 1 dente de alho 1 folha de louro 7 xícaras de água Manjerona e salsa a gosto Modo de fazer Para o preparo da sopa deve-se cortar o pescoço de cordeiro ao comprido e depois em porções correspondentes a cada vértebra. Socar o sal, alho e a manjerona passar na carne e deixar em repouso por 15 minutos. Picar o tomate, a cebola e o pimentão. Colocar óleo na panela e refogar com estes temperos. Colocar então a carne, deixando- a fritar por 20 minutos. Adicionar as batatas e água, deixando ferver por 15 minutos. Pôr o arroz e deixar ferver por mais 25 minutos. No momento de servir espalhar salsa picada. Ingredientes Granito Batata doce Cenoura Batata inglesa Abóbora Mandioca Couve Sal e pimenta a gosto Modo de fazer Colocar o granito para aferventar em água em panelão, temperada apenas com sal. Faz-se isto contando o tempo. Por exemplo, lá pelas dez horas da manhã inicia-se o ritual. Aos poucos, enquanto a carne vai fervendo, coloca -se na panela batata-doce, cenoura e, mais tarde, batata-inglesa, abóbora, mandioca e couve. Deixa-se ferver tudo á vontade. Quando estiver tudo quase pronto, lá por uma hora mais tarde, prova-se o tempero e, nesta hora, pode -se adicionar uma pimenta agosto, para que o caldo fique forte. Se os legumes se desmancharem, virando um imenso sopão, não se apavore, pois, com um aperitivo de canha pura ou com losna, o pucheiro faz levantar até moribundo. Ingredientes 4 patas muito bem lavadas 1 coalheira 2 quilos de mondongo 1 tripa grossa ½ quilo de lingüiça 1 quilo de feijão branco 2 colheres de sopa de óleo 2 cebolas 4 tomates Ovos duros picados 1 dente de alho e temperos Modo de fazer Pôr a carne a ferver (de véspera), em água fria, com todos os temperos, até despegar o osso das patas. Deixar de véspera, também, uma ou duas xícaras de feijão branco de molho. Cozinhar o feijão e reservar. Fazer um refogado com cebolas, tomates, alho, louro, salsa, cebolinha e aí refogar os miúdos picados e a lingüiça em pedaços. Acrescentar a água em que foram aferventados e deixar ferver bastante. Meia hora antes de servir, juntar o feijão branco. Enfeitar com ovos duros e tempero verde picados. Ingredientes 1 quilo e ½ de espinhado de ovelha 1 quilo de batata inglesa 2 cebolas 4 dentes de alho 4 tomates 1 pimenta verde Folhas de manjerona Modo de fazer Salgar as chuletas do espinhaço e colocar a fritar. Picar bem a cebola, o alho, os tomates e a pimenta e juntar às chuletas, depois de bem fritas. Quando estiver no ponto, colocar as batatas cortadas ao meio e pôr dois dedos de água quente. Corrigir o sal, deixando meio salgadinho (a batata retira muito). CULTURA 1620 à 1730 - Traje IndígenaChimarrãoChurrascoDicionário GaúchoSemana Farrouplha A Tradição do chimarrão é antiga, símbolo da Hospitalidade Gaúcha, de origem indígena (Guaranis), o chimarrão autêntico, sem açúcar, toma-se em uma cuia de porongo, hoje, por uma bomba de metal. Em seus primórdios o chimarrão era consumido através de um “canudo” de taquara, chamado Taquapy. Conta a lenda da Erva–Mate que um velho guerreiro guarani vivia triste em sua cabana pois já não podia mais sair para as guerras, nem mesmo para caçar e pescar, vivendo só com sua linda filha Yari, que o tratava com muito carinho, conservando-se solteira para melhor dedicar-se ao pai. Um dia, Yari e seu pai receberam a visita de um viajante que pernoitou na cabana recebendo seus melhores tratos. A jovem cantou para que o visitante adormecesse e tivesse um sono tranqüilo, entoando um canto suave e triste. Ao amanhecer, o viajante confessando ser enviado de Tupã, quis retribuir-lhes a hospitalidade dizendo que atenderia a qualquer desejo, mesmo o mais remoto. O velho guerreiro, sabendo que sua jovem filha não se casara para não abandoná-lo, pediu que lhe fosse devolvidas as forças, para que Yari se tornasse livre. O mensageiro de Tupã entregou ao velho um galho de árvore de Caá, ensinando-lhe a preparar uma infusão que lhe devolveria todo o vigor. Transformou ainda Yari, em deusa dos ervais e protetora da raça Guarani, sendo chamada de Caá-Yari, a deusa da erva-mate. E assim, a erva foi usada por todos os guerreiros da tribo, tornando-os mais fortes e valentes. Quando os espanhóis por aqui chegaram, encontraram os índios guaranis dóceis e receptivos, já então utilizando uma bebida que sorviam em cabaças por meio de um canudo, preparada, com folhas de uma árvore nativa da região – chamada cáa – dizendo que esta lhes havia sido dada pelo deus Tupã. De imediato os espanhóis adquiriram este hábito e passaram a tomar o chimarrão, desde os soldados até oficiais, sem distinção de classes sociais. O chimarrão, tradicional e salutar hábito do Rio Grande do Sul, é um símbolo da hospitalidade do gaúcho, que oferece sempre a qualquer visitante. Atualmente, é bebido em uma cuia onde depositamos um pouco de erva-mate já moída e de onde sorvemos o líquido (água quente sem ferver), através de uma bomba de metal. O costume de tomar chimarrão está bastante difundido, tanto no meio rural como no urbano e faz parte da vida do gaúcho desde o amanhecer até a noite, quando encerra suas tarefas do dia. Os 10 mandamentos do chimarrão Não peças açúcar no mate Não digas que o chimarrão é anti-higiênico Não digas que o mate está quente demais Não deixes um mate pela metade Não te envergonhes do “ronco" no fim do mate Não mexas na bomba Não alteres a ordem em que o mate é servido Não "durmas" com a cuia na mão Não condenes o dono da casa por tomar o primeiro mate Não digas que chimarrão dá câncer na garganta Segundo indicam os fatos históricos, foi no século XVII que no Rio Grande do Sul surgiu a forma gaúcha de se fazer churrasco, que hoje se difundiu por todo país e tem até reconhecimento e apreciação internacional. Além disto, tornou-se sinônimo de festa e confraternização entre familiares e amigos. A descoberta do churrasco é atribuída aos índios que habitavam a costa das três Américas. Eles assavam a carne ao ar livre, numa fogueira sobre pedras com auxílio de uma grelha de madeira verde, mas foi na região do grande pampa que o churrasco encontrou o seu ambiente ideal. A pecuária sempre foi uma das maiores riquezas do Uruguai, da Argentina e do sul do Brasil, na chamada região dos pampas, e a lida com o gado afastava os homens do campo por longos períodos de suas casas. O churrasco era uma forma mais prática de fazer uma refeição, pois tudo que era necessário para preparar a refeição estava à mão: uma boa faca afiada, uma fogueira preparada em um buraco cavado no chão (fogo no chão), um espeto de vara que podia ser preparado na hora com galhos, um generoso pedaço de carne e sal grosso. O sal grosso aliás, era e até hoje é utilizado como complemento na alimentação dos bovinos. A carne era cortada em pequenos pedaços e servida, iniciando a forma de se servir carne chamada de rodízio. E estava assim criado o jeito gaúcho de se preparar churrasco. A princípio, o churrasco como conhecemos hoje era muito raro, pois não havia preocupação com o comércio da carne bovina, e sim do couro e sebo. No Rio Grande do Sul, o churrasco até hoje faz parte da cultura do gaúcho, estando também sempre presente na vida do campeiro gaúcho. Fonte: http://www.churrascariadowalmor.com.br A Abichornado: adj. Aborrecido, triste, desanimado. Abrir cancha: Abrir espaço para alguém passar. A cabresto: Conduzido pelo cabresto; submetido. Achego: Amparo, encosto, proteção. Açoiteira: Parte do relho ou rebenque, constituída de tira ou tiras de couro, trançadas ou justapostas, com a qual se castiga o animal de montaria ou de tração. Acolherar: Unir dois animais por meio de uma pequena guasca amarrada ao pescoço; Unir, juntar, com relação a pessoas. Afeitar: Cortar a barba. Agregado: Pessoa pobre que se estabelece em terras alheias, com autorização do respectivo dono, sem pagar arrendamento, mas com determinadas obrigações, como cuidar dos rebanhos, ajudar nas lidas de campo e executar outros trabalhos. Água-Benta: Cachaça, destinada a ser bebida ocultamente. Água-de-cheiro: Perfume, extrato. Ajojo: É feito de couro cru torcido para prender os canzil no pescoço dos bois carreiros. A laço e espora: Com muita dificuldade, com muito esforço, vencendo grandes obstáculos. A la cria: Ao Deus-dará, à aventura. Foi-se a la cria, significa foi-se embora, foi-se ao Deus-dará, caiu no mundo. Alambrado: Aramado. Cerca feita de arame para manter o gado nas invernadas ou potreiros. A la pucha: Exprime admiração, espanto. À meia guampa: Meio embriagado, levemente ébrio. Anca: Quarto traseiro dos quadrúpedes. Garupa do cavalo. O traseiro do vacum. Anta: Pessoa interesseira. Aporreado: Cavalo mal domado, indomável, que não se deixa amansar. Aplica-se, também ao homem rebelde. Arapuca: Armadilha para pegar passarinhos; Trapaça. Arrastar a asa: Paquerar. Arreios: Conjunto de peças com que se arreia um cavalo para montar. Azucrinado: Encomodado. B Badana: Pele macia e lavrada que se coloca, na encilha do cavalo de montaria, por cima dos pelegos ou do coxonilho, se houver. Bagual: Cavalo manso que se tornou selvagem. Reprodutor, animal não castrado. Bah: Abreviação de Barbaride. Expressão usada para demonstrar surpresa, indignação. Baixeiro: Espécie de lã, integrante dos arreios, que põe no lombo do cavalo, por baixo da carona. Bater as botas: Morrer. Bicheira: Ferida nos animais, contendo vermes depositados pelas moscas varejeiras. Para sua cura, além de medicação, são largamente utilizadas as simpatias e benzeduras. Bidê: Mesinha de cabeceira. (Aportuguesado do francês bidet). Biriva: Nome dado aos habitantes de Cima da Serra, descendentes de bandeirantes, ou aos tropeiros paulistas, os quais geralmente andavam em mulas e tinham um sotaque especial diferente do da fronteira ou da região baixa do Estado. Var.: beriva, beriba, biriba. Bóia: Comida Bolicho: Casa de negócios de pequeno sortimento e de pouca importância. Bodega. Bolicheiro: Dono de bolicho. Braça-de-Sesmaria: Media antiga, de superfície, usada no Rio Grande do Sul. A braça-de-sesmaria mede 2,20 m por 6.600 m ou seja 14.520 metros quadrados. Bruaca: Mulher feia -Utensílio que é colocado um de cada lado na cangáia no lombo do cavalo ou na mula para transportar alimentos, prática muito utilizada na época que não havia estradas e nem veículos para fazer o transporte. Buenacha: Boa. C Cabresto: Peça de couro que é apresilhada ao buçal para segurar o cavalo ou o muar. Cachaço: s. Porco não castrado, barrasco, varrão. Cacho: A cola, o rabo do cavalo. Cagaço: Grande susto, medo. Caju: Confronto entre os times do Caxias e do Juventude (Caxias do Sul). Cambicho: Apego, paixão, inclinação irresistível por uma mulher. Campo de Lei: Campo de ótima qualidade. Canga: É feito de madeira que é colocado no pescoço de dois bois carreiros para puxar carreta ou arado. Canzil: É feito de madeira, que é colocado na canga para prender no pescoço dos bois carreiros. Capão: Diz-se ao animal mal capado; Indivíduo fraco, covarde, vil; Pequeno mato isolado no meio do campo. Capataz: Administrador de uma estância ou de uma charqueada. Pessoa que nas lides pastoris, é incumbida de chefiar o pessoal. Carboteiro(a): Alguém difícil, que não dá bola. Carreira: Corrida de cavalos, em cancha reta. Quando participam da carreira mais de dois parelheiros, esta toma o nome de penca ou califórnia. Caudilho: Chefe militar ; Manda-chuva. Cavalo de Lei: Animal muito veloz, capaz de percorrer duas quadras (264m) em 16 segundos ou menos. Chalana: Embarcação ou Lancha grande e chata. Chambão: Otário. Charla: Conversa. Chasque: Recado; Mensagem. Chimango: Alcunha dada no Rio Grande do Sul aos partidários do governo na Revolução de 1929. China: Descendente ou mulher de índio, ou pessoa de sexo feminino que apresenta alguns dos traços característicos étnicos das mulheres indígenas; Cabloca, mulher morena; Mulher de vida fácil; Esposa. Chinoca: Mulher. Cincha: Peça dos arreios que serve para firmar o lombilho ou o serigote sobre o lombo do animal. Colhudo: Cavalo inteiro, não castrado. Pastor.; Figuradamente, diz-se do sujeito valente, que enfrenta o perigo, que agüenta o repuxo. Credo: Exclamação de espanto. Cuiudo: O mesmo que colhudo. Cupincha: Companheiro, amigo. Cusco: Cão pequeno, cão de raça ordinária. O mesmo que guaipeca, guaipé. D Daí Tchê: Oi. Daga: Adaga, facão. De vereda: Imediatamente, de momento, de uma vez. Dobrar o cotovelo: Beber, levantar o copo à boca. Doma: Ato de domar. Ato de amansar um animal xucro. Domador: Amansador de potros. Peão que monta animais xucros. Duro de boca: Diz-se do animal que não obedece à ação das rédeas. Duro de Pealar: Difícil de fazer, trabalhoso. E Embretado: Encerrado no brete.; Metido em apertos, apuros ou dificuldades; enrascado, emaranhado. Entrevero: Mistura, desordem, confusão de pessoas, animais ou objetos. Erva-Caúna: Variedade de erva mate de má qualidade, amarga. Erva-Lavada: Erva já sem fortidão por ter servido para muitos mates. Estar com o diabo no corpo: Estar furioso. Estar insuportável. Estar com o pé no Estribo: Estar prestes a sair. Estrela-Boieira: Estrela d´alva. Estribo: Peça presa ao loro, de cada lado da sela, e na qual o cavaleiro firma o pé. Estropiado: Diz-se o animal sentido dos cascos, com dificuldade de andar, em consequência de marchas por estradas pedregosas. F Facada: Pedido de dinheiro feito por indivíduo vadio, incapaz de trabalhar, que não pretende restituí-lo. Facho: O ar livre. Usado na expressão sair do facho. Fatiota: Terno; Conjunto de roupas do homem: calça, colete e paletó. Fiambre: Alimento para viagem, geralmente carne fria, assada ou cozida. Fazer a viagem do corvo: Sair e demorar muito a regressar. Flete: Cavalo bom e de bela aparência, encilhado com luxo e elegância. Funda: Estilingue, bodoque. G Gadaria: Porção de gado, grande quantidade de gado, o gado existente em uma estância ou em uma invernada. Gado chimarrão: Gado alçado, xucro, sem costeio. Galpão: Construção existente nas estâncias, destinadas ao abrigo de homens e de animais; O galpão característico do Rio Grande do Sul é uma contrução rústica, de regular tamanho, em geral de madeira bruta e parte de terra batida, onde o fogo de chão está sempre aceso. Serve de abrigo e aconchego à peonada da estância e a qualquer tropeiro ou gaudério que dele necessite. Gato: Bebedeira, porre, embriaguez. Gaudério: Pessoa que não tem ocupação séria e vive à custa dos outros, andando de casa em casa; Parasita; Amigo de viver à custa alheia. Graxaim: Guaraxaim, sorro, zorro. Pequeno animal semelhante ao cão, que gosta de roer cordas, principalmente de couro cru e engraxadas ou ensebadas, e de comer aves domésticas. Sai, geralmente, à noite. É muito comum em toda a campanha. Gringo: Denominação dada ao estrangeiro em geral, com exceção do português e do hispano-americano. Guaiaca: Cinto largo de couro macio, às vezes de couro de lontra ou de camurça, ordinariamente enfeitado com bordados ou com moedas de prata ou de ouro, que serve para o porte de armas e para guardar dinheiro e pequenos objetos. Guaipeca: Cão pequeno, cusco, cachorrinho de pernas tortas, cãozinho ordinário, vira-lata, sem raça definida. Pequeno, de minguada estatura. ; Aplica-se, também, às pessoas, com sentido depreciativo. Guapo: Forte, vigoroso, valente, bravo. Guasca: Tira, corda de couro cru, isto é, não curtido; Homem rústico, forte, guapo, valente. Guasqueaço: Pancada, golpe dado com guasca. Relhaço, relhada, chicotada, chibatada, correada, açoite. Guri: Criança, menino, piazinho, serviçal para trabalhos leves nas estâncias. Grenal: Confronto entre os times do Grêmio e Internacional (POA). H Há Cachorro na Cancha: Significa que há alguma coisa atrapalhando a execução de determinado plano. Haraganear: Andar solto o animal por muito tempo, sem prestar serviço algum. I Invernada: Grande extensão de campo cercado. Nas estâncias, geralmente, há diversas invernadas: para engordar, para cruzamento de raças, etc. Iguaria: Culinária. J Juiz: Pessoa que julga a chegada dos parelheiros, nas carreiras, em cada laço. O mesmo que julgador. Jururu: Cabisbaixo, tristonho, abatido. L Lábia: Habilidade de conversa. Lambe esporas: Indivíduo bajulador; leva e traz. Lasqueado: Trouxa. Légua: Medida itinerária equivalente a 3.000 braças ou 6.600 metros. O mesmo que légua de sesmaria. M Macanudo: Designa alguém bonito ou algo legal. Maleva: Bandido, malfeitor, desalmado; Cavalo infiel, que por qualquer coisa corcoveia. Maludo: Cavalo inteiro, garanhão. Diz-se do animal com grandes testículos. Mangueira: Grande curral construído de pedra ou de madeira, junto à casa da estância, destinado a encerrar o gado para marcação, castração, cura de bicheiras, aparte e outros trabalhos. Manotaço: Pancada que o cavalo dá com uma das patas dianteiras, ou com ambas; Bofetada, pancada com a mão dada por pessoa. Marica: Gay, boiolinha, abichornado. N Negrinho: Designação carinhoso que se dá a crianças ou a pessas que se tem afeição. Num Upa: Num abrir e fechar de olhos; De golpe; Rapidamente. O Oigalê: Exprime admiração, espanto, alegria. Orelhano: Animal sem marca, nem sinal. P Paisano: Do mesmo país; Amigo, camarada. Palanque: Esteio grosso e forte cravado no chão, com mais de dois metros de altura e trinta centímetros aproximadamente de diâmetro, localizado na mangueira ou curral, no qual se atam os animais, para doma, para cura de bicheiras ou outros serviços. Papudo: Indivíduo que tem papo. Balaqueiro, jactancioso, blasonador. O termo é empregado para insultar, provocar, depreciar, menosprezar outra pessoa, embora esta não tenha papo. Passar um pito: Repreender, descompor. Patrão: Designação dada ao presidente de Centro de Tradições Gaúchas (CTG). Patrão-Velho: Deus. Pelea: Peleja, pugilato, contenda, briga, rusga, disputa, combate. Pelear: Brigar, lutar, combater, pelejar, teimar, disputar. Petiço: Cavalo pequeno, curto, baixo. Piá: Menino, guri, caboclinho. Piquete: Pequeno potreiro, ao lado da casa, onde se põe ao pasto os animais utilizados diariamente. Poncho: Espécie de capa de pano de lã, de forma retangular, ovalada ou redonda, com uma abertura no centro, por onde se enfia a cabeça. É feito geralmente de pano azul, com forro de baeta vermelha. É o agasalho tradicional do gaúcho do campo. Na cama de pelegos, serve de coberta. A cavalo, resguarda o cavaleiro da chuva e do frio. Pô Tchê: Fala aí, cara ! Potrilho: Animal cavalar durante o período de amamentação, isto é, desde que nasce até dois anos de idade. Potranco, potreco, potranquinho. Q Que Tal?: Tudo bem?. Queixo-Duro: Cavalo que não obedece facilmente a ação das rédeas. Quero-Mana: Denominação de antigo bailado campestre, espécie de fandango. Canto popular executado ao som de viola. R Rebenque: Chicote curto, com o cabo retovado, com uma palma de couro na extremidade. Pequeno relho. Regalo: Presente, brinde. Relho: Chicote com cabo de madeira e açoiteira de tranças semelhantes a de laço, com um pedaço de guasca na ponta. Reponte: Ato de tocar por diante o gado de um lugar para o outro. Repontar: Tocar o gado por diante de um lugar para outro. S Sair Fedendo: Fugir à disparada. Sanga: Pequeno curso d'água menor que um regato ou arroio. Selin: Sela própria para uso da mulher. Sesmaria: Antiga medida agrária correspondente a três léguas quadradas, ou seja a 13.068 hectares. São 3000 por 9000 braças; ou 6.600 por 19.800 metros; ou ainda, 130.680.000 metros quadrados. Soga: Corda feita de couro, ou de fibra vegetal, ou ainda de crina de animal, utilizada para prender o cavalo à estaca ou ao pau-de-arrasto, quando é posto a pastar. Corda de couro torcido ou trançado, que liga entre si as pedras das boleadeiras. ; O termo é usado também em sentido figurado. Surungo: Arrasta pé, baile de baixa classe, caroço. T Taco: Diz-se ao indivíduo capaz, hábil, corajoso. guapo. Taipa: Represa de leivas, nas lavouras de arroz. Cerca de pedra, na região serrana. Taita: Indivíduo valentão, destemido, guapo. Tala: Nervura do centro da folha do jerivá. Chibata improvisada com a tala do jerivá ou com qualquer vara vlexivel. Talagaço: Pancada com tala. Chicotaço. Talho: Ferimento. Tapera: Casa de campo, rancho, qualquer habitação abandonada, quase sempre em ruínas, com algumas paredes de pé e algum arvoredo velho. Diz-se da morada deserta, inabitada, triste. Tchê: Meu, principalmente referindo-se a relações de parentesco. (Veja mais em Tradicionalismo) Tirador: Espécie de avental de couro macio, ou pelego, que os laçadores usam pendente da cintura, do lado esquerdo, para proteger e o corpo do atrito do laço. Mesmo quando não está fazendo serviços em que utilize o laço, o homem da fronteira usa, freqüentemente, como parte da vestimenta, o seu tirador, que por vezes é de luxo, enfeitado com franjas, bolsos e coldre para revólver. Tosa: Tosquia, toso, esquila. Tradição Gaúcha: Vocábulos usados no plural, significando o rico acervo cultural e moral do Rio Grande do Sul no campo literário, folclórico, musical, usanças, adagiário, artesanato, esportes e atividades culturais. Tranco: Passo largo, firme e seguro, do cavalo ou do homem. Tramposo: Intrometido, trapaceiro, velhaco. Trem: Sujeito inútil. Três-Marias: Boleadeiras. Tronqueira: Cada um dos grossos esteios colocados nas porteiras, os quais são providos de buracos em que são passadas as varas que as fecham. Tropeiro: Condutor de tropas, de gado, de éguas, de mulas, ou de cargueiros. Pessoa que se ocupa em comprar e vender tropas de gado, de éguas ou de mulas. Peão que ajuda a conduzir a tropa, que tem por profissão ajudar a conduzir tropas. O trabalho do tropeiro é um dos mais ásperos, pois além das dificuldades normais da lida com o gado, é feito ao relento, dia e noite, com chuva, com neve, com minuano, com soalheiras inclementes, exigindo sempre dedicação integral de quem o realiza. Trovar: conversar, prosear. U Uma-de-pé: Uma briga, conflito, luta. Usted: Você. Usado só na fronteira. V Vacaria: Grande número de vacas; Grande extensão de campo que os jesuítas reservavam para criação de gado bovino. Varar: Atravessar, cruzar. Vareio: Susto, sova, surra, repreensão. Vaza: Vez, oportunidade. Vil: Covarde, desanimado, fraco. Vivente: Pessoa, criatura, indivíduo. X Xepa: Comida. Xerenga: Faca velha, ordinária. Xiru: O mesmo que chiru. Xucro: Diz-se ao animal ainda não domado, bravio arrisco. Z Zarro: Incômodo, difícil de fazer, chato. Zunir: Ir-se apressadamente. Fonte: Minidicionário Guasca - Zeno Cardoso Nunes - Rui cardoso Nunes Quando o homem que veio fazer a América - e se vestia à européia - aqui chegou encontrou, nos campos, índios missioneiros e índios cavaleiros. Índios Missioneiros: (Tapes, Gês-guaranizados) - constituíam a matéria-prima trabalhada pelos padres Jesuítas dos Sete Povos. Os Missioneiros se vestiam, conforme severa moral jesuítica. Passaram a usar os calções europeus e em seguida a camisa, introduzida nas missões pelo Padre Antônio Sepp. Usavam, ainda, uma peça de indumentária não européia, proximamente indígena - "el poncho" - isto é, o pala bichará. Essa peça de indumentária não existia no Rio Grande do Sul antes da chegada do branco, pois os nossos índios pré-missioneiros não teciam e nem fiavam. Os Padres descobriram a atração que as vestes religiosas e as fardas militares exerciam sobre os índios e distribuíram essas roupas entre eles. Assim, figurar o Alferes Real Sepé Tiarayu, desnudo ou vestindo chiripá, é erro grosseiro. Ele usaria a farda correspondente ao seu alto grau militar, ou vestiria-se civilmente, com bragas, camisa e poncho. A mulher missioneira, usava o "tipoy", que era um longo vestido formado por dois panos costurados entre si, deixando sem costurar, apenas duas aberturas para os braços e uma para o pescoço. Na cintura, usavam uma espécie de cordão, chamado "chumbé". O "tipoy" era feito de algodão esbranquiçado, mas em seguida se tornava avermelhado com o pó das Missões. Em ocasiões festivas, a índia missioneira gostava de usar um alvo "tipoy" de linho sobre o de uso diário. Apenas nas vestes religiosas, sobretudo nas procissões, as índias usavam mantos de cores dramáticas, como o roxo e o negro. Índios cavaleiros: (Mbaias: Charruas, Minuanos, Yarós, etc): eram assim chamados porque prontamente se adonaram do cavalo trazido pelo branco, desenvolvendo uma surpreendente técnica de amestramento e equitação. Usavam duas peças de indumentária absolutamente originais: o "chiripá" e o "cayapi". O chiripá era uma espécie de saia, constituída por um retângulo de pano enrolado na cintura, até os joelhos. O cayapi dos minuanos era um couro de boi, inteiro e bem sovado (que se usava às costas) com o pêlo para dentro e carnal para fora, pintado de listras verticais e horizontais, em cinza e ocre. À noite, servia de cama, estirado no chão. Os charruas o chamavam de "quillapi" e "toropi". A mulher, entre os índios cavaleiros, usava apenas o chiripá. No rosto, pintura ritual de passagem, assinalando a entrada na puberdade. No pescoço, colares de contas ou dentes de feras. De peças da indumentária ibérica, de peças da indumentária indígena e tantas outras, o gaúcho foi constituindo sua própria indumentária. A manhã de 20 de Setembro de 1935 é marcante na história do Rio Grande do Sul, que era conhecido como a província de São Pedro do Rio Grande, no Brasil imperial. Motivados a rebelar-se contra o modelo de estado empregado na época, líderes dos liberais como Bento Gonçalves da Silva queriam um modelo de economia e política diferentes, com maior autonomia dos estados em relação à república. Enquanto o principal produto produzido no Brasil era o Café, a província de São Pedro produzia o charque que era utilizado na alimentação dos escravos cafeicultores de Minas Gerais e São Paulo. O Câmbio e a carga tributária eram totalmente favoráveis à importação destes produtos de países como Uruguai e Argentina tirando os gaúchos da concorrência por conseguirem, estes países, preços mais baixos para a venda do produto. Os conflitos começaram na Ponte de Azenha, na madrugada de 20 de setembro de 1835 e perduraram até 1945. Foi a maior revolução civil já vista no continente americano. Não houve um tratado de paz pelo simples motivo de que a república do Brasil nunca considerou o estado do Rio Grande como autônomo. O que aconteceu foi uma ata assinada em 25 de fevereiro de 45 pelos generais, coronéis e majores farroupilhas que se reuniram em Ponche Verde para analisar as condições para pacificação. Três dias após, dia 28, o chefe do exército David Canabarro foi autorizado a divulgar o fim da guerra civil mais longa da história das américas. Fonte: http://www.patriapampa.com ESTRUTURA EVENTO Concursos ArtísticosShow com Joca MartinsShow com César Oliveira e Rogério MelloMissa CrioulaXIX Rodeio Crioulo NacionalInauguração do Novo CTGComida CampeiraINDUMENTARIA 1620 à 1730 - Traje Indígena1730 à 1820 - Traje Gaúcho1820 à 1865 - Traje Gaúcho1865 até nossos dias - Traje gaúcho Quando o homem que veio fazer a América - e se vestia à européia - aqui chegou encontrou, nos campos, índios missioneiros e índios cavaleiros. Índios Missioneiros: (Tapes, Gês-guaranizados) - constituíam a matéria-prima trabalhada pelos padres Jesuítas dos Sete Povos. Os Missioneiros se vestiam, conforme severa moral jesuítica. Passaram a usar os calções europeus e em seguida a camisa, introduzida nas missões pelo Padre Antônio Sepp. Usavam, ainda, uma peça de indumentária não européia, proximamente indígena - "el poncho" - isto é, o pala bichará. Essa peça de indumentária não existia no Rio Grande do Sul antes da chegada do branco, pois os nossos índios pré-missioneiros não teciam e nem fiavam. Os Padres descobriram a atração que as vestes religiosas e as fardas militares exerciam sobre os índios e distribuíram essas roupas entre eles. Assim, figurar o Alferes Real Sepé Tiarayu, desnudo ou vestindo chiripá, é erro grosseiro. Ele usaria a farda correspondente ao seu alto grau militar, ou vestiria-se civilmente, com bragas, camisa e poncho. A mulher missioneira, usava o "tipoy", que era um longo vestido formado por dois panos costurados entre si, deixando sem costurar, apenas duas aberturas para os braços e uma para o pescoço. Na cintura, usavam uma espécie de cordão, chamado "chumbé". O "tipoy" era feito de algodão esbranquiçado, mas em seguida se tornava avermelhado com o pó das Missões. Em ocasiões festivas, a índia missioneira gostava de usar um alvo "tipoy" de linho sobre o de uso diário. Apenas nas vestes religiosas, sobretudo nas procissões, as índias usavam mantos de cores dramáticas, como o roxo e o negro. Índios cavaleiros: (Mbaias: Charruas, Minuanos, Yarós, etc): eram assim chamados porque prontamente se adonaram do cavalo trazido pelo branco, desenvolvendo uma surpreendente técnica de amestramento e equitação. Usavam duas peças de indumentária absolutamente originais: o "chiripá" e o "cayapi". O chiripá era uma espécie de saia, constituída por um retângulo de pano enrolado na cintura, até os joelhos. O cayapi dos minuanos era um couro de boi, inteiro e bem sovado (que se usava às costas) com o pêlo para dentro e carnal para fora, pintado de listras verticais e horizontais, em cinza e ocre. À noite, servia de cama, estirado no chão. Os charruas o chamavam de "quillapi" e "toropi". A mulher, entre os índios cavaleiros, usava apenas o chiripá. No rosto, pintura ritual de passagem, assinalando a entrada na puberdade. No pescoço, colares de contas ou dentes de feras. De peças da indumentária ibérica, de peças da indumentária indígena e tantas outras, o gaúcho foi constituindo sua própria indumentária. Fonte: Indumentária Gaúcha Antônio Augusto Fagundes, Martins Livreiro Editor (2ª Edição) - Porto Alegre – 1985 Figuras: Gaúcho - Vestuário Tradicional e Costumes Véra Stedile Zattera - Gov. do Estado do Rio Grande do Sul - 1995 http://tradicao.pampasonline.com.br Patrão das Vacarias e Estancieira Gaúcha O primeiro caudilho riograndense, tinha mais dinheiro e se vestia melhor. Foi o primeiro estancieiro. Trajava-se basicamente à européia, com a braga e as ceroulas de crivo. Passou a usar também a bota de garrão de potro, invenção gauchesca típica. Igualmente o cinturão-guaiaca, o lenço de pescoço, o pala indígena, a tira de pano prendendo os cabelos, o chapéu de pança de burro, etc. A mulher desse rico estancieiro, usava botinhas fechadas, meias brancas ou de cor, longos vestidos de seda ou veludo, botinhas fechadas, mantilha, chalé ou sobrepeliz, grande travessa prendendo os cabelos enrolados e o infaltável leque. Peão das Vacarias e China das Vacarias O traje do peão das vacarias destinava-se a proteger o usuário e a não atrapalhar a sua atividade - caçar o gado e cavalgar. Normalmente, este gaúcho só usava o chiripá primitivo (pano enrolado como saia, até os joelhos, meio aberto na frente, para facilitar a equitação e mesmo o caminhar do homem) e um pala enfiado na cabeça. O chiripá, em pouco tempo, assumia uma cor indistinta de múgria - cor de esfregão. À cintura, faixa larga, negra, ou cinturão de bolsas, tipo guaiaca, adaptado para levar moedas, palhas e fumo e, mais tarde, cédulas, relógio e até pistola. Ainda à cintura, as infaltáveis armas desse homem: as boleadeiras, a faca flamenga ou a adaga e, mais raramente, o facão. E sempre à mão, a lança - de peleia ou de trabalho. Camisa, quando contava com uma, era de algodão branco ou riscado, sem botões, apenas com cadarços nos punhos, com gola imensa e mangas largas. Pala, não faltava, comumente, o de lã - chamado "bichará"- em cores naturais, e mais raramente o de algodão e o de seda que aos poucos vão aparecendo. Logo, também surge o poncho redondo, de cor azul e forrado de baeta vermelha. Pala: tem origem indígena. Pode ser de lã ou algodão, quando protege contra o frio, ou de seda, quando preteje contra o calor. É sempre retangular com franjas nos quatro lados. A gola do pala é um simples talho, por onde o homem enfia o pescoço. Poncho: Tem origem inteiramente gauchesca. É feito, invariavelmente, de lã grossa. Quase sempre é azul escuro, forrado de baeta vermelha, mas também existem de outras combinações de cores. O poncho tem a forma circular ou ovalada. Só preteje contra o frio e a chuva. A gola é alta, abotoada e há um peitilho na frente do poncho. As botas mais comuns eram as de garrão-de-potro, que eram retiradas de vacas, burros e éguas (raramente era usado o couro de potro, que lhe deu o nome). Essas botas eram lonqueadas ou perdiam o pêlo com o uso. Em uso, as botas não duravam mais de 2 meses. Normalmente, eram feitas com o couro das pernas traseiras do animal que dão botas maiores. As que eram tiradas das patas dianteiras, muitas vezes eram cortadas na ponta e no calcanhar, ficando o usuário com os dedos do pé e o calcanhar de fora. Acima da barriga da perna, era ajustada por meio de tranças ou tentos. As esporas mais comuns nessa época eram as nazarenas (européias) e as chilenas (americanas). As nazarenas tem esse nome devido aos seus espinhos pontudos, que lembram os cravos que martirizaram Nosso Senhor. As chilenas, devem seu nome à semelhança com as esporas do "huaso", do Chile. Aos poucos, os ferreiros da época começaram a criar novos tipos de esporas. O peão das vacarias não era de muito luxo. Só usava ceroulas de crivo nas aglomerações urbanas. Ademais, andava de pernas nuas como os índios. À cabeça, usava a fita dos índios, prendendo os cabelos - que os platinos chamam "vincha" - e também o lenço, como touca, atado à nuca. O chapéu, quando usava, era de palha (mais comum), e de feltro, (mais raro), e talvez o de couro cru, chamado de "pança-de-burro", feito com um retalho circular da barriga do muar, moldado na cabeça de um palanque. O chapéu, qualquer que fosse o feitio, era preso com barbicacho sob o queixo ou nariz. Esse barbicacho era normalmente trançado em delicados tentos de couro cru, tirados de lonca, ou então, eram simples cordões de seda, torcidas, terminando em borlas que caía para o lado direito. Mais raramente, era feito de sola e fivela. Ainda nesta época, aparece o "cingidor", que é o nosso tirador. A mulher vestia-se pobremente: nada mais que uma saia comprida, rodada, de cor escura e blusa clara ou desbotada com o tempo. Pés e pernas descobertas, na maioria das vezes. Por baixo, apenas usava bombachinhas, que eram as calças femininas da época. Fonte: Indumentária Gaúcha Antônio Augusto Fagundes, Martins Livreiro Editor (2ª Edição) - Porto Alegre – 1985 Figuras: Gaúcho - Vestuário Tradicional e Costumes Véra Stedile Zattera - Gov. do Estado do Rio Grande do Sul - 1995 http://tradicao.pampasonline.com.br Chiripá Farroupilha e Saia e Casaquinho Este período é dominado por um chiripá que substituiu o anterior, que não é adequado à equitação, mas para o homem que anda a pé. O chiripá dessa nova fase é em forma de grande fralda, passada por entre as pernas. Este adapta-se bem ao ato de cavalgar e essa é certamente a explicação para o seu aparecimento. Com isto, fica claro que o Chiripá Primitivo era de origem indígena. Já o Chiripá Farroupilha é inteiramente gaúcho. Esse é um traje muito funcional, nem muito curto, nem muito comprido, tendo o joelho por limite, ao cobri-lo. As esporas deste período são as chilenas, as nazarenas e os novos tipos inventados pelos ferreiros da campanha. As botas são, ainda, a bota forte, comum, a bota russilhona e a bota de garrão, inteira ou de meio pé. As ceroulas são enfiadas no cano da bota ou, quando por fora, mostram nas extremidades, crivos, rendas e franjas. À cintura, faixa preta e guaiaca, de uma ou duas fivelas. Camisa sem botões, de gola, e mangas largas. Usavam jaleco, de lã ou mesmo veludo, e às vezes, a jaqueta, com gola e manga de casaco, terminando na cintura, fechado à frente por grandes botões ou moedas. No pescoço, lenço de seda, nas cores mais populares, vermelho ou branco. Porém, muitas vezes, o lenço adotado tinha outras cores e padronagens. Em caso de luto, usava-se o lenço preto. Com luto aliviado, preto com "petit-pois", carijó ou xadrez de preto e branco. Aos ombros, pala, bichará ou poncho. Na cabeça usavam a fita dos índios ou o lenço amarrado à pirata e, se for o caso, chapéu de feltro, com aba estreita e copa alta ou chapéu de palha, sempre preso com barbicacho. A mulher, nesta época, usava saia e casaquinho com discretas rendas e enfeites. Tinham as pernas cobertas com meias, salvo na intimidade do lar. Usavam cabelo solto ou trançado, para as solteiras e em coque para as senhoras. Os sapatos eram fechados e discretos. Como jóias apenas um camafeu ou broche. Ao pescoço vinha muitas vezes o fichú (triângulo de seda ou crochê, com as pontas fechados por um broche). Este foi o traje usado pelas ricas e pobres desta época. Fonte: Indumentária Gaúcha Antônio Augusto Fagundes, Martins Livreiro Editor (2ª Edição) - Porto Alegre – 1985 Figuras: Gaúcho - Vestuário Tradicional e Costumes Véra Stedile Zattera - Gov. do Estado do Rio Grande do Sul - 1995 http://tradicao.pampasonline.com.br Bombacha e Vestido de Prenda A bombacha surgiu com os turcos e veio para o Brasil usada pelos pobres na Guerra do Paraguai. Até o começo do século, usar bombachas em um baile, seria um desrespeito. O gaúcho viajava à cavalo, trajando bombachas e trazia as calças "cola fina", dobradas em baixo dos pelegos, para frisar. As bombachas são largas na Fronteira, estreitas na Serra e médias no Planalto, abotoadas no tornozelo, e quase sempre com favos de mel. A correta bombacha é a de cós largo, sem alças para a cinta e com dois bolsos grandes nas laterais, de cores claras para ocasiões festivas, sóbrias e escuras para viagens ou trabalho. À cintura o fronteirista usa faixa; o serrano e planaltense dispensam a mesma e a guaiaca da Fronteira é diferente da serrana, por esta ser geralmente peluda e com coldre inteiriço. A camisa é de um pano só, no máximo de pano riscado. Em ambiente de maior respeito usa-se o colete, a blusa campeira ou o casaco. O lenço do pescoço é atado por um nó de oito maneiras diferentes e as cores branco e vermelho são as mais tradicionais. Usa-se mais freqüentemente o chapéu de copa baixa e abas largas, podendo variar com o gosto individual do usuário, evitando sempre enfeites indiscretos no barbicacho. Por convenção social o peão não usa chapéu em locais cobertos, como por exemplo no interior de um galpão. As esporas mais utilizadas são as "chilenas", destacando-se ainda as "nazarenas". Botas, de sapataria preferencialmente pretas ou marrons. Para proteger-se da chuva e do frio usa-se o poncho ou a capa campeira e do calor o poncho-pala. Cita-se ainda o bichará como proteção contra o frio do inverno. Obs.: O preto é somente usado em sinal de luto. O tirador deve ser simples, sem enfeites, curtos e com flecos compridos na Serra, de pontas arredondadas no Planalto, comprido com ou sem flecos na Campanha e de bordas retas com flecos de meio palmo na Fronteira. É vedado o uso de bombacha com túnica tipo militar, bem como chiripás por prendas por ser um traje masculino. A indumentária da prenda é regulamentada por uma tese de autoria de Luiz Celso Gomes Yarup, que foi aprovada no 34º. Congresso Tradicionalista Gaúcho, em Caçapava do Sul. 01 - O vestido deverá ser, preferencialmente, de uma peça, com barra da saia no peito do pé; 02 - A quantidade de passa-fitas, apliques, babados e rendas é livre; 03 - O vestido pode ser de tecido estampado ou liso, sendo facultado o uso de tecidos sintéticos com estamparia miúda ou "petit-pois"; 04 - Vedado o decote; 05 - Saia de armar: quantidade livre (sem exageros); 06 - Obrigatório o uso de bombachinhas, rendadas ou não, cujo comprimento deverá atingir a altura do joelho; 07 - Mangas até os cotovelos, três quartos ou até os pulsos; 08 - Facultativo o uso de lenço com pontas cruzadas sobre o peito, também facultado o uso do fichu de seda com franjas ou de crochê, preso com broche ou camafeu, ou ainda do chalé; 09 - Meias longas brancas ou coloridas, não transparentes; 10 - Sapato com salto 5 (cinco), ou meio salto, que abotoe do lado de fora, por uma tira que passa sobre o peito do pé; 11 - Cabelo solto ou em trança (única ou dupla), com flores ou fitas; 12 - Facultado o uso de brincos de argola de metal. Vedados os de fantasia ou de plásticos; 13 - Vedado o uso de colares; 14 - Permitido o uso de pulseiras de aro de qualquer metal. Não aceitas as pulseiras de plástico; 15 - Permitido o uso de um anel de metal em cada mão. Vedados os de fantasia; 16 - É permitido o uso discreto de maquiagem facial, sem batons roxos, sombras coloridas, delineadores em demasia; 17 - Vedado o uso de relógios de pulso e de luvas; 18 - Livre a criação dos vestidos, quanto a cores, padrões e silhuetas, dentro dos parâmetros acima enumerados. Fonte: Indumentária Gaúcha Antônio Augusto Fagundes, Martins Livreiro Editor (2ª Edição) - Porto Alegre – 1985 Figuras: Gaúcho - Vestuário Tradicional e Costumes Véra Stedile Zattera - Gov. do Estado do Rio Grande do Sul - 1995 http://tradicao.pampasonline.com.br INVERNADA Invernada AdultaInvernada Mirim Ensaios toda segunda e sexta-feira, no restaurante do Parque de Rodeios. Instrutores: Daniela Leite e Thiago Lima. Ensaios toda segunda-feira, no restaurante do Parque de Rodeios. Instrutores: Daniela Leite e Thiago Lima. NOTICIA Bem-vindo!Concurso de Prendas RegionaisInauguração CTG Alexandre PatoIncrições de PrendasXXVII Fandango da Prenda Jovem Acontecerá, no dia 27 de junho a 40ª Ciranda Cultural de Prendas e 22º Entrevero Cultural de Peões – Fase Regional, no CTG Sentinela da Querência de Vacaria. A prova escrita terá início às 9h. A Patronagem do CTG Alexandre Pato sentir-se-a honrada com sua presença no XXVII Fandango da Prenda Jovem a realizar-se no dia 29 de agosto de 2009, na sede social do CTG Alexandre Pato, às 23 horas, com o conjunto Sinuelo Pampenano. Esperamos você para sentir a alegria de estarmos juntos neste grande baile. Assim como a sede do CTG, o nosso site foi reformulado para melhor atendê-los. Aqui você pode conhecer o novo CTG Alexandre Pato, ficar por dentro das notícias, visualizar fotos dos eventos, além de poder interagir conosco mandando seus comentários, dúvidas e sugestões. Fique a vontade! No dia 01 de maio, a patronagem do CTG Alexandre Pato realizou a inauguração das novas dependências da entidade, localizada no Parque de Rodeios Ítalo Nunes Mondadori. Com sucesso e ajuda de muitos a obra de 2.500m2 foi idealizada através de um sonho antigo daqueles que amam e cultuam as tradições gaúchas. A inauguração reservou momentos especiais como a doação da faixa que Cenira Berthier Vasques conquistou no período de 1953 a 1956, pelo CTG. A benção inaugural foi feita pelo Padre Claudio Precendo, da Matriz São Paulo Apóstolo e pelo Frei Jadir Segala, da Matriz Santo Antonio. Cento e oitenta mesas deram um brilho especial ao salão, onde a alegria estava estampada nitidamente junto aos tradicionalistas presentes. O baile foi animado pelo lagoense Porca Véia e conjunto Cordeona. Já estão abertas as inscrições para as prendas que desejam participar do XXVII Fandango da Prenda Jovem. As inscrições das Prendas poderão ser feitas até o dia 30 de julho. Solicite a ficha de inscrição pelo e-mail contato@ctgalexandrepato.com.br. PARCEIRO PATRONAGEM Patronagem CTG Alexandre Pato Patrão: Volmir Vieira de Carvalho Vice-Patrão: Dirceu Rosa da Silva 1º Tesoureiro: Paulo César Vieira de Carvalho 2º Tesoureiro: João Henrique Cunha 3º Tesoureiro: Juarez Francisco Moreira Secretário Geral: Rony Diogo Roman Secretário(a) Executivo(a): Ivanir Mignoni de Lima Conselho Fiscal: João Carlos Ferri; Augusto Reginato Pereira de Andrade; Miguel Pereira Ramos Suplentes do Conselho Fiscal: Antonio Jacques Machado Leite; Cassiano Zanin Zamim; Alberto Soares da Silva Departamento de Projetos e Verbas: Elio Moreira de Souza Departamento Campeiro: Joaquim Floresmindo N. Hoffmann; Nicanor Alves de Lima; Pedro Pinto de Oliveira; José Carlos Leal da Silva; Valeriano de Oliveira; Marcos Avila; Luis Ori Nunes; Lauvir Marques Departamento Artístico: Joscelaine C. L. Lima Departamento Cultural: Marilia Dornelles Departamento Social: Dirceu Rosa da Silva Departamento de Cavalgadas: Eduardo Mello Departamento de Marketing: Silvano Cavaganolli; Arthur Lindones Nunes; Jean Carlo Gobatto; Everton Rech; Auriomar Ramos; Leandro Lourenço de Lima; Silvana Cavagnoli; Maria Celita Madalozzo; Maria Stela Bortoncello; Delio Appio; Paulo Silva; Altamir Souza; Marta Lima; Cleomar Matheus da Silva; Marilia Dornelles; Ivanir Mignoni de Lima; Luiz Fernando Carvalho; Ricardo Salvatori; Samir de Avila; Renato Spode; Evandro da Silva; Rudimar Galvan Diretor de Patrimônio: Elio Moreira de Souza; José Vieira de Carvalho; Adair Manto; Dionizio Gomes; José Otávio Telles Departamento de Comida Campeira: Cassiano Castelano; Oscar Grau; Miguel Accorsi; José Adele Alves Campos; Leopoldo Spode Departamento do Doce Campeiro: Romaira Branco da Silva; Nora Vieira da Silva; Janete Barros Carvalho; Lara Simone Carvalho; Clarice Oliveira Agregado das Leis: Luis Felipe Zonta; Cassiano Castelano; João Carlos Chiesa PEAO PESSOA CTG Alexandre Pato O CTG Alexandre Pato fora fundado no dia 30 de Setembro de 1953, onde em reunião entre vários amigos, entre eles Archimedes Almeida, Nelson Berthier, César Muliterno e Otaviano Telles, foram sugeridos diversos nomes para a escolha do Patrono como: - Teodoro Telles; - Gustavo Berthier; - Alberto Berthier; - Alexandre Góes Vieira, conhecido com o Alexandre Pato; Porém destes o nome escolhido por todos foi Alexandre Pato. Alexandre de Góes Vieira ou Alexandre Pato, como era conhecido, nasceu na Fazenda da Ramada, no município de Vacaria/RS, em 29 de Março de 1843. Era filho de Bernardinho Antonio de Jesus, natural da Província de São Pedro, o qual nasceu na Fazenda Lagoa dos Patos nas proximidades de Vacaria/RS. Sua mãe Bernardina de Góes Vieira era natural de São Paulo/SP. Alexandre foi casado com Francisca Borges Vieira, de tradicional família vacariana. Desta união nasceram 16 filhos, com uma descendência de mais de 600 pessoas, com ramificação e entrelaçamento de várias famílias de renome nacional. Alexandre foi tropeiro, exímio laçador, grande tradicionalista e grande agro-pecuarista. Faleceu em Lagoa Vermelha no dia 10 de Março de 1913, com 70 anos de idade. O CTG Alexandre Pato teve como primeiro patrão o senhor Nelson Berthier que foi eleito no dia 30/09/1953. Consta na ata que em Agosto de 1964 deu-se início na construção da primeira sede do Centro de Tradições Gaúchas Alexandre Pato e que em outubro de 1964 a mesma foi inaugurada. O primeiro Rodeio de Patrões aconteceu em 20 de Setembro de 1964, onde podiam participar somente os patrões das entidades, neste ano era Patrão o senhor Esmeraldino Salatino. O primeiro Rodeio Crioulo do Ctg Alexandre Pato realizou-se de 02 à 04 de Fevereiro de 1973, o Patrão era o senhor Celso Lima e esteve presente nesse evento o Coordenador da 8ª Região Tradicionalista o senhor Adelar Rodrigues, como a Mais Prendada Prenda do Rodeio Estadual de Lagoa Vermelha foi eleita Clésia Inês Socolo do CTG Querência do Prata, da cidade de Nova Prata. Desde então ficou oficializado que o Rodeio aconteceria de 02 em 02 anos. Em 1975 a 1ª Prenda do CTG Alexandre Pato, Nádia Reis participou do Concurso Estadual da Mais Prendada Prenda do Rio Grande do Sul, na oportunidade obteve o título de Melhor Declamadora do Rio grande do Sul. O primeiro Baile da Prenda Jovem foi em 1980, era Patrão o senhor Eraldo Pacheco, debutaram 25 meninas. A Primeira Festa Nacional do Churrasco e Comida Campeira aconteceu juntamente com o IV Rodeio Crioulo Nacional nos dias 25 a 30 de Janeiro de 1983, tinha como Patrão o senhor Sebastião Vilson do Amaral e como presidente da comissão organizadora o senhor Doutor Oscar Menna Barreto Grau. Desde então a cada edição o sucesso é maior, com o churrasco de melhor qualidade, tendo um corte todo especial, carneadores e assadores de maior domínio e técnica. Juntamente com a Primeira Festa Nacional do Churrasco, dispondo de toda a criatividade dos organizadores e diante de conversas com os membros foi feita a MANTA DE CHARQUE DE UMA RÊS INTEIRA, a qual era desossada. Seu idealizador foi o senhor Francisco Fialho, popular Chico Fialho. Esse charque ficava exposto durante todo o rodeio, sendo feito uma rifa da manta. A primeira apresentação da Invernada Artística do CTG foi no ano de 1984, onde o mesmo tinha como Patrão o senhor Sebastião Vilson do Amaral. No primeiro aniversário da Quadrilha, realizado no ano de 1985 o Patrão era o senhor Pedro Jaime Nogueira. No primeiro torneio da 1ª Edição do Troféu Biriva teve como ganhador da disputa do Tiro de Laço o CTG Alexandre Pato e o último torneio da 1ª Edição do Troféu também foi o CTG, sendo que a entidade que conquistasse esse título 3x consecutivas ou 5 alternadas ficaria com o Troféu em definitivo. E o CTG Alexandre Pato foi o contemplado. Seu idealizador foi César Vieira. O CTG Alexandre Pato organizou a II Edição do Troféu Biriva que foi no dia 06/05/2007 no Parque de Rodeios Ítalo Nunes Mondadori, sendo o vencedor dessa edição o CTG Planalto Capoense. O CTG Alexandre Pato está hoje na sua XIV Festa Nacional do Churrasco e Comida Campeira, 5ª Mostra do Doce Campeiro e XIX Rodeio Crioulo Nacional. O primeiro Fandango da Prenda Jovem, foi realizado no ano de 1980, quando era Patrão o senhor Eraldo Pacheco. Em 1981, aconteceu o segundo Fandando da Prenda Jovem, com o Patrão Sebastião Vilson do Amaral. Em 1982 e 1983 aconteceu o 3º e o 4º Fandango da Prenda Jovem, também sob a Patronagem do senhor Sebastião Vilson do Amaral. Em 1984 realizou-se o 5º Baile, com o Patrão Joaquim F. Nunes Hoffamann. Em 1985 com o Patrão Joaquim F. Nunes Hoffamann aconteceu a 6ª edição do Fandango da Prenda Jovem. Nos anos de 1986 e 1987, sob a patronagem de Pedro Jaime Nogueira, ocorreram a sétima e a oitava edição do Fandango da Prenda Jovem. O nono Fandango da Prenda Jovem aconteceu no ano de 1988, com o Patrão Clair Paim. Ainda sob a gestão de Clair Paim, aconteceu o décimo Fandango da Prenda Jovem, no ano de 1989. Em 1990 e 1991, o Patrão Clodoveu Campos de Oliveira, realizou o décimo primeiro Fandango da Prenda Jovem e também o décimo segundo. O Patrão Luiz Sutil G. dos Anjos realizou o décimo terceiro, décimo quarto, décimo quinto e décimo sexto Fandando da Prenda Jovem nos anos de 1992, 1993, 1994 e 1995 respectivamente. Nos anos de 1996 e 1997, o Patrão Miguel Ângelo Ferreira realizou o décimo sétimo e o décimo oitavo Fandango da Prenda Jovem. De 1998 à 2001, o Patrão da Entidade Alvício José Telles, realizou o décimo nono, vigésimo, vigésimo primeiro e o vigésimo segundo Fandango da Prenda Jovem. Em 2002 e 2003, aconteceu o vigésimo terceiro e o vigésimo quarto Fandango da Prenda Jovem, com o Patrão Walter dos S. Lima. No ano de 2004, com o Patrão Nicanor Alves de Lima, foi realizado o vigésimo quinto Fandango da Prenda Jovem. Nos anos de 2005 e 2006, não foram realizados esses eventos por não dispor de local. No ano de 2007, ocorreu a vigésima sexta edição do Fandango da Prenda Jovem, com o CTG sob o comando do Patrão Nicanor A. de Lima. O CTG Possui Parque de Rodeios Próprio, onde realiza vários eventos, além disso conta também com escolas de danças mirim e juvenil. Promove atividades culturais como por exemplo na Semana Farroupilha onde as Prendas desenvolvem projetos na comunidade Lagoense. Na parte campeira várias atividades são desevolvidas e participadas pelo CTG, mas a que maior se destaca é a realização do Rodeio Crioulo Nacional, um grande evento que promove a Cultura Gaúcha. Também acontece paralelo a este evento a Festa Nacional do Churrasco e Comida Campeira e Mostra do Doce Campeiro. O CTG Alexandre Pato possui 20 piquetes de Laçadores filiados, tendo em torno de 300 afiliados até o momento. Atualmente é comandado pelo patrão Volmir Vieira de Carvalho e vice-patrão Dirceu Rosa da Silva. EXTRATO DO ESTATUTO CENTRO DE TRADIÇÕES GAÚCHAS ALEXANDRE PATO LAGOA VERMELHA – RS Fundado em 30 de setembro de 1953, com foro e sede na BR 285, KM 74, na cidade de Lagoa Vermelha, é uma sociedade civil sem fins lucrativos que tem por finalidade cultuar as tradições do Estado do Rio Grande do Sul, e com duração por tempo indeterminado, reger-se-â pelo presente estatuto. Dos Objetivos: Cultuar os usos e costumes do Rio Grande do Sul, defender o patrimônio moral e histórico, auxiliar o homem do campo, organizar as atividades. Para a consecução de seus objetivos e finalidades, o Centro poderá firmar contratos, convênios, realizar parcerias e realizar atos outros, tanto com a iniciativa privada como órgãos públicos. Dos Associados E dos Requisitos para Admissão, Demissão e Exclusão do Quadro Social: Fundadores; Contribuintes; Beneméritos; Dos associados fundadores quando da fundação trabalharam e contribuíram materialmente e moral e igualmente aqueles que assinaram a ata primeira da fundação. Dos associados contribuintes são os que admitidos pela patronagem, mediante pagamento de uma contribuição estipulada pelo estatuto. Dos Associados Beneméritos aqueles que prestarem serviços relevantes a entidade. Dependentes do associado, cônjuge ou companheira e os filhos menores de 18 anos. A condição de associado é personalíssima. Dos Direitos e Deveres dos Associados São direitos: Votar e ser votados, ter os benefícios proporcionados pelo centro, comparecer e usar da palavra nas reuniões, fiscalizar, apresentar sugestões, solicitar assembléia Geral Extraordinária na forma de lei, solicitar as dependências do Centro para reuniões ou eventos, responsabilizando-se pelos pagamentos de despesas, bem como pelos prejuízos decorrentes eventualmente. São Deveres: Acatar as decisões, cumprir e fazer cumprir este estatuto, bem como as regras das festividades promovidas pelo centro, colaborar, contribuir com a mensalidade ou anuidade fixada, zelar pela conservação do bom nome e de seu patrimônio, respeitar os membros da patronagem, manter conduta compatível com a moral e os bons costumes. Das penalidades e da perda dos direitos de associado Advertência escrita, multa, suspensão até (06) seis meses, exclusão. Da Organização e Administração do Centro São órgãos dirigentes do centro: A Assembléia Geral, A patronagem, O conselho fiscal, Os Departamentos (artístico, cultural, cavalgada, patrimônio, jurídico e campeiro) Da Patronagem A patronagem é constituída dos seguintes cargos: Patrão, Vice-patrão, 1º Secretário, 2º Secretário, 1º Tesoureiro, 2º Tesoureiro e os demais cargos são de confiança da patronagem. É de competência da patronagem administrativa e responsável pela entidade. É vedado, no entanto Vender ou alienar o patrimônio social, é da alçada exclusiva da assembléia, contratar ou criar dívida superior ao valor de até 50 salários mínimos nacional sem prévia autorização da assembléia. Do patrão: Representar o Centro judicialmente e Extra Judicialmente ou nomear, presidir reuniões ou assembléias, assinar juntamente com o tesoureiro, documentos de responsabilidades financeira, dar posse a nova patronagem e conselho fiscal, cumprir e fazer cumprir os Estatutos, autorizar despesas, apresentar no final da gestão relatório das atividades bem como o balanço financeiro, conceder ou caçar a palavra nas sessões. Do Vice-Patrão: Substituir e auxiliar o patrão em suas funções em caso de vacância do cargo exercer a função de patrão. Dos Secretários: Redigir, publicar e arquivar convocações, avisos e correspondências, escrever atas e todo o serviço de expediente, tomar parte das reuniões e deliberações da patronagem. Dos Tesoureiros: Assinar com o Patrão documentos de responsabilidade financeira, apresentar balancetes, coordenar a atividade financeira, deliberar ao Patrão sobre a cobrança das mensalidades ou anuidades de demais créditos que a entidade tem para receber indicando o caminho. Do conselho Fiscal: O Conselho fiscal é composto e será representado por três associados titulares e três suplentes devidamente eleitos pela assembléia. Compete ao conselho fiscal: Fiscalizar, Analisar, Pugnar, Julgar e Representar junto a Assembléia contra a patronagem nos casos de abusos de poder ou desvio de finalidade na condução. Dos Departamentos: São órgãos vinculados ao Patrão do Centro. Departamento artístico, Departamento de Cavalgada, Departamento de Patrimônio, Departamento da Campeira, Departamento da Campeira, Departamento Cultura e Assessoria Jurídica. Do patrimônio e da Renda do Centro: Constitui-se patrimônio do Centro, os bens móveis e imóveis adquiridos ou recebidos em doação, contribuições dos associados e as receitas eventuais. O valor das contribuições serão fixadas pela assembléia Geral, Nenhum associado poderá dispor dos valores e objetos que constituam do patrimônio, Somente a assembléia poderá autorizar a alienação de bens. O centro só poderá ser dissolvido por vontade expressa de dois terços dos membros presentes a Assembléia convocada para esse fim. Em caso de dissolução os seus objetos históricos ou relíquias, biblioteca, bens móveis e imóveis terão destino que lhe der a Assembléia geral. Das eleições: A patronagem e o conselho fiscal serão eleitos por um período de (2) dois anos, permitida a reeleição. Apresentação de chapas concorrentes à patronagem deverá ser inscritas até (8) oito dias antes da data designada, devendo constar nome de cada integrante da patronagem. Não havendo chapa ou chapa única a assembléia geral eleger por aclamação da maioria presente. As eleições serão por escrutínio secreto e maioria simples de votos. Não será permitido voto por procuração. São aptos a votarem e serem votados os associados em dia com suas obrigações. Para ser votado ao cargo de Patrão, o candidato deverá ser associado há mais de um ano. Das Disposições Finais e Transitórias: O Centro de Tradições Gaúchas Alexandre Pato adotará novo distintivo e nova Bandeira, sendo que os mesmos serão produzidos e escolhidos através de regras fixadas pela patronagem, devendo os mesmos ser aprovados em assembléia geral. O lema do Centro é: “Entre o Céu e a Terra, sempre Gaúcho”. Nenhum dos cargos do Centro será remunerado. O Centro terá um livro de ata para registro. Não será permitido a inclusão de novos associados no período de trinta dias anteriores ao dia da eleição. Os casos omissos no presente Estatuto serão resolvidos pela patronagem. Os associados não respondem solidariamente pelas obrigações da entidade, exceto se agiram com culpa ou dolo para a produção do resultado a que estão sendo responsabilizados. Os direitos adquiridos pelos associados na vigência do Estatuto anterior ficam assegurados. A primeira eleição na vigência deste Estatuto deverá ocorrer na primeira quinzena de janeiro de 2008, prorrogando o mandato da atual patronagem e conselho fiscal até a data definida neste artigo. PIQUETE Alma GaudériaAlvorada dos PampasBatendo EsporasCabanha SucaraCalouros do LaçoCentro de Lazer do AssisCTG Alexandre PatoFazenda do PinhalMarca NativaPasso do LimaPialo da SaudadePiquete 35Porteira da EsperançaPorteira da TradiçãoPorteira do SegredoPotro sem DonoPresilha do Rio GrandeRincão da EsperançaRincão dos AndradesRodeio da DefesaSanta LuciaSanto Antonio Fundado por um grupo de amigos e familiares em uma reunião familiar que deu seqüência a tradição herdada do saudoso Adão Pinto de Andrade, que por muitos anos laçou no piquete Vaqueanos do Rincão. Tivemos esta idéia de por o nome do Piquete Rincão dos Andrades pois neste Rincão sempre defendemos a tradição e a família Andrade foi homenageada por seus sucessores, sendo o primeiro capataz o Sr. Joaquim Leonel de Andrade. O Piquete é composto pelos seguintes peões: Joaquim Leonel de Andrade, Alci Rafael de Andrade, Lucas Junior de Andrade, Mauricio Nunes de Andrade, Michel Nunes de Andrade, Gabriel Baceli de Andrade, Edelmi Soares de Lima, Mateus Lima, Vitalino Padilha, José Muliterno e Evando Silva. Fundado em 15 de outubro de 2000, teve como patrões: Joaquim Leonel de Andrade, Alci Jucar Andrade, Edelmi Soares de Lima e atualmente Alci Jucar de Andrade. O Piquete Localiza-se na propriedade do patrão, no distrito de Lageado dos Ivar. Capão Bonito do Sul/RS. O Piquete de laçadores Alvorada dos Pampas existe há 30 anos, teve uma parada durante um tempo mas foi reativado em 15 de junho de 2008 pelo Patrão Sr. Ari de Chaves e Silva. Tem como peões: Ari Chaves e Silva, José Ribeiro, Zulmir Chaves, Lucas Rodrigues, Rafael Rodrigues e José Orlando Rodrigues. O Piquete participa de todas as atividades relacionadas ao tradicionalismo buscando sempre preservar as tradições gaúchas, participando de provas com várias premiações e troféus. A cancha de laço está localizada na propriedade do Sr. Ari Chaves e Silva na localidade do Boqueirão tendo como nome “Cancha Elias Telles de Souza” com uma placa direcionada ao Piquete Alvorada dos Pampas. É filiado ao CTG Alexandre Pato desde sua reativação. O Piquete de Laçadores Pialo da Saudade foi fundado no dia 07 de julho de 2007 por uma reunião entre amigos na residência do Sr. Valdir Agostinetto, o qual ficou como fundador do Piquete. O Piquete tem como cor oficial o Azul, como estampa uma Ferradura e como Lema “O Incentivo da Tradição Gaúcha nas mãos dos nossos Tropeiros Rio Grandense”. Ficando como patrão dessa entidade o Sr. Juliano Agostinetto, após a filiação ao CTG Alexandre Pato, assumiu como capataz do piquete. O Piquete hoje é composto por 7 peões, capataz Sr. Juliano Agostinetto, Valdir Agostinetto, Sergio Prandi de Ávila, Romancil Foscarini da Silva, Edelmi Rodrigo Boeno, Ribas Paulo Colla Batista e Rafael Camargo. Participa das atividades Campeiras buscando sempre preservar as Tradições Gaúchas. O Piquete de Laçadores Centro de Lazer do Assis foi fundado no dia 11 de setembro de 2004, na propriedade do Sr. Assis Borges de Mello o qual é o Patrono do Piquete. Desde então assumiu como patrão da entidade o Sr. Ivan Dias de Mello o qual atua até os dias de hoje, após a filiação ao CTG Alexandre Pato ficando como Capataz da entidade. Tem como objetivo sempre representar bem as tradições gaúchas e o nome da entidade a qual representa por ser descendente da mesma. O piquete participa de atividades direcionadas a preservar a cultura e as verdadeiras tradições. Tem como participantes Sr. Ivan Dias de Mello, Roberta Borges de Mello e Eleovaldo Zanin Junior. Participou em 2005 na Expointer trazendo prêmios como Prova de Rédeas e Laço Guri. O Piquete de Laçadores Calouros do Laço foi fundado em janeiro de 1961, tendo idéia do nome da entidade o Sr. Celso Freitas de Lima o qual foi o fundador e exerceu por muito tempo o cargo de patrão. Nessa longa caminhada teve várias participações em rodeios e atividades na região com conquista de prêmios e troféus. O Piquete vem há 3 gerações lutando pelas nossas raízes, e abrindo espaços a novos participantes que trazem em suas veias o amor pelas lidas campeiras. Tendo como capataz da entidade o SR. Luiz Celso Nunes de Lima, peões Arlindo Antonio Kriguer, Erivelton Duarte de Lima, Iorton Duarte de Lima, Celso Rieth de Lima Neto, Juliano Rieth de Lima, Odacir Tadeu Lima Nunes de Freitas, Odilion José Nunes de Freitas, Silandro Lima Nunes de Freitas, Walencar Orlando de Abreu Nunes, Luiz Ibere Nunes de Freitas, Marcelo Hoffmann Favaretto, Fabiano Lourenço de Lima, Ademar dias dos Santos, Dacio Antonio de Almeida Filho. Em breve. Em breve. Em breve. Em breve. Em breve. Em breve. Em breve. Em breve. Em breve.Em breve.Em breve.Em breve.Em breve.Em breve.Em breve.Em breve. Em breve. POESIA Jayme Caetano Braun - AmargoJayme Caetano Braun - Arroz de CarreteiroJayme Caetano Braun - BochinchoJayme Caetano Braun - Cemitério de CampanhaJayme Caetano Braun - Payada - Chimarrão e PoesiaJayme Caetano Braun - Faca-CoqueiroJayme Caetano Braun - Galo de RinhaJayme Caetano Braun - GineteandoJayme Caetano Braun - HermanoJayme Caetano Braun - Hora da SestaJayme Caetano Braun - Natal GalponeiroJayme Caetano Braun - Negrinho do PastoreioJayme Caetano Braun - Paisagens PerdidasJayme Caetano Braun - PayadaJayme Caetano Braun - Payada do Ano NovoJayme Caetano Braun - Remorsos de CastradorJayme Caetano Braun - Sem DiplomaJayme Caetano Braun - Seu EsmilindroJayme Caetano Braun - Tio AnastácioJayme Caetano Braun - Jogando TrucoAlcy Cheuiche - Que diacho! Eu gostava do meu cuscoAlcy Cheuiche - Reza ChucraAntonio Augusto Coronel Cruz - GauchescaAntonio Augusto Fagundes - Mulher GaúchaAntonio Augusto Fagundes - Lenço BrancoApparicio Silva Rillo - Canto aos AvósApparicio Silva Rillo - Cusco CegoApparicio Silva Rillo - DesafioApparicio Silva Rillo - HerançaApparicio Silva Rillo - LagoaApparicio Silva Rillo - Mãe VelhaApparicio Silva Rillo - No BolichoApparicio Silva Rillo - Pago VagoApparicio Silva Rillo - PerfilApparicio Silva Rillo - Romance do ArrendadorApparicio Silva Rillo - Romance do João da GaitaApparicio Silva Rillo - Romance do InjustiçadoApparicio Silva Rillo - Velha Faca Velha infusão gauchesca De topete levantado O porongo requeimado Que te serve de vazilha Tem o feitio da coxilha Por onde o guasca domina, E esse gosto de resina Que não é amargo nem doce É o beijo que desgarrou-se Dos lábios de alguma china! A velha bomba prateada Que atrás do cerro desponta Como uma lança de ponta Encravada no repecho Assim jogada ao desleixo Até parece que espera O retorno de algum cuera Esparramado do bando Que decerto anda peleando Nalgum rincão de tapera! Velho mate-chimarrão As vezes quando te chupo Eu sinto que me engarupo Bem sobre a anca da história, E repassando a memória Vejo tropilhas de um pêlo Selvagens em atropelo Entreverados na orgia Dos passes de bruxaria Quando o feiticeiro inculto Rezava o primeiro culto Da pampeana liturgia! Nessa lagoa parada Cheia de paus e de espuma Vão cruzando uma, por uma, Antepassadas visões Fandangos e marcações Entreveros e bochinchos Clarinadas e relinchos Por descampados e grotas, E quando tu te alvorotas No teu ronco anunciador Escuto ao longe o rumor De uma cordeona floreando E o vento norte assobiando Nos flecos do tirador! Sangue verde do meu pago Quando o teu gosto me invade Eu sinto necessidade De ver céu e campo aberto É algum mistério por certo Que arrebentando maneias Te faz corcovear nas veias Como se o sangue encarnado Verde tivesse voltado Do curador das peleias! Gaudéria essência charrua Do Rio Grande primitivo Chupo mais um, pra o estrivo E campo a fora me largo, Levando o teu gosto amargo Gravado em todo o meu ser, E um dia quando morrer, Deus me conceda esta graça De expirar entre a fumaça Do meu chimarrão querido Porque então irei ungido Com água benta da raça!!! Nobre cardápio crioulo das primitivas jornadas, Nascido nas carreteadas do Rio Grande abarbarado, Por certo nisso inspirado, o xiru velho campeiro Te batizou de "Carreteiro", meu velho arroz com guisado. Não tem mistério o feitio dessa iguaria bagual, É xarque - arroz - graxa - sal É água pura em quantidade. Meta fogo de verdade na panela cascurrenta. Alho - cebola ou pimenta, isso conforme a vontade. Não tem luxo - é tudo simples, pra fazer um carreiteiro. Se fica algum "marinheiro" de vereda vem à tona. Bote - se houver - manjerona, que dá um gostito melhor Tapiando o amargo do suor que - às vezes, vem da carona. Pois em cima desse traste de uso tão abarbarado, É onde se corta o guisado ligeirito - com destreza. Prato rude - com certeza, mas quando ferve em voz rouca Deixa com água na boca a mais dengosa princesa. Ah! Que saudades eu tenho dos tempos em que tropeava Quando de volta me apeava num fogão rumbeando o cheiro E por ali - tarimbeiro, cansado de bater casco, Me esquecia do churrasco saboreando um carreteiro. Em quanto pouso cheguei de pingo pelo cabresto, Na falta de outro pretexto indagando algum atalho, Mas sempre ao ver o borralho onde a panela fervia Eu cá comigo dizia: chegou de passar trabalho. Por isso - meu prato xucro, eu me paro acabrunhado Ao te ver falsificado na cozinha do povoeiro Desvirtuado por dinheiro à tradição gauchesca, Guisado de carne fresca, não é arroz de carreteiro. Hoje te matam à Mingua, em palácio e restaurante Mas não há quem te suplante, nem que o mundo se derreta, Se és feito em panela preta, servido em prato de lata Bombeando a lua de prata sob a quincha da carreta! Por isso, quando eu chegar, nalgum fogão do além-vida, Se lá não houver comida já pedi a Deus por consolo, Que junto ao fogão crioulo, Quando for escurecendo, meu mate -amargo sorvendo, A cavalo nalgum tronco, escute, ao menos, o ronco De um "Carreteiro" fervendo. A um bochincho - certa feita, Fui chegando - de curioso, Que o vicio - é que nem sarnoso, nunca pára - nem se ajeita. Baile de gente direita Vi, de pronto, que não era, Na noite de primavera Gaguejava a voz dum tango E eu sou louco por fandango Que nem pinto por quireral. Atei meu zaino - longito, Num galho de guamirim, Desde guri fui assim, Não brinco nem facilito. Em bruxas não acredito 'Pero - que las, las hay', Sou da costa do Uruguai, Meu velho pago querido E por andar desprevenido Há tanto guri sem pai. No rancho de santa-fé, De pau-a-pique barreado, Num trancão de convidado Me entreverei no banzé. Chinaredo à bola-pé, No ambiente fumacento, Um candieiro, bem no centro, Num lusco-fusco de aurora, Pra quem chegava de fora Pouco enxergava ali dentro! Dei de mão numa tiangaça Que me cruzou no costado E já sai entreverado Entre a poeira e a fumaça, Oigalé china lindaça, Morena de toda a crina, Dessas da venta brasina, Com cheiro de lechiguana Que quando ergue uma pestana Até a noite se ilumina. Misto de diaba e de santa, Com ares de quem é dona E um gosto de temporona Que traz água na garganta. Eu me grudei na percanta O mesmo que um carrapato E o gaiteiro era um mulato Que até dormindo tocava E a gaita choramingava Como namoro de gato! A gaita velha gemia, Ás vezes quase parava, De repente se acordava E num vanerão se perdia E eu - contra a pele macia Daquele corpo moreno, Sentia o mundo pequeno, Bombeando cheio de enlevo Dois olhos - flores de trevo Com respingos de sereno! Mas o que é bom se termina - Cumpriu-se o velho ditado, Eu que dançava, embalado, Nos braços doces da china Escutei - de relancina, Uma espécie de relincho, Era o dono do bochincho, Meio oitavado num canto, Que me olhava - com espanto, Mais sério do que um capincho! E foi ele que se veio, Pois era dele a pinguancha, Bufando e abrindo cancha Como dono de rodeio. Quis me partir pelo meio Num talonaço de adaga Que - se me pega - me estraga, Chegou levantar um cisco, Mas não é a toa - chomisco! Que sou de São Luiz Gonzaga! Meio na volta do braço Consegui tirar o talho E quase que me atrapalho Porque havia pouco espaço, Mas senti o calor do aço E o calor do aço arde, Me levantei - sem alarde, Por causa do desaforo E soltei meu marca touro Num medonho buenas-tarde! Tenho visto coisa feia, Tenho visto judiaria, Mas ainda hoje me arrepia Lembrar aquela peleia, Talvez quem ouça - não creia, Mas vi brotar no pescoço, Do índio do berro grosso Como uma cinta vermelha E desde o beiço até a orelha Ficou relampeando o osso! O índio era um índio touro, Mas até touro se ajoelha, Cortado do beiço a orelha Amontoou-se como um couro E aquilo foi um estouro, Daqueles que dava medo, Espantou-se o chinaredo E amigos - foi uma zoada, Parecia até uma eguada Disparando num varzedo! Não há quem pinte o retrato Dum bochincho - quando estoura, Tinidos de adaga - espora E gritos de desacato. Berros de quarenta e quatro De cada canto da sala E a velha gaita baguala Num vanerão pacholento, Fazendo acompanhamento Do turumbamba de bala! É china que se escabela, Redemoinhando na porta E chiru da guampa torta Que vem direito à janela, Gritando - de toda guela, Num berreiro alucinante, Índio que não se garante, Vendo sangue - se apavora E se manda - campo fora, Levando tudo por diante! Sou crente na divindade, Morro quando Deus quiser, Mas amigos - se eu disser, Até periga a verdade, Naquela barbaridade, De chínaredo fugindo, De grito e bala zunindo, O gaiteiro - alheio a tudo, Tocava um xote clinudo, Já quase meio dormindo! E a coisa ia indo assim, Balanceei a situação, - Já quase sem munição, Todos atirando em mim. Qual ia ser o meu fim, Me dei conta - de repente, Não vou ficar pra semente, Mas gosto de andar no mundo, Me esperavam na do fundo, Saí na Porta da frente... E dali ganhei o mato, Abaixo de tiroteio E inda escutava o floreio Da cordeona do mulato E, pra encurtar o relato, Me bandeei pra o outro lado, Cruzei o Uruguai, a nado, Que o meu zaino era um capincho E a história desse bochincho Faz parte do meu passado! E a china - essa pergunta me é feita A cada vez que declamo É uma coisa que reclamo Porque não acho direita Considero uma desfeita Que compreender não consigo, Eu, no medonho perigo Duma situação brasina Todos perguntam da china E ninguém se importa comigo! E a china - eu nunca mais vi No meu gauderiar andejo, Somente em sonhos a vejo Em bárbaro frenesi. Talvez ande - por aí, No rodeio das alçadas, Ou - talvez - nas madrugadas, Seja uma estrela chirua Dessas - que se banha nua No espelho das aguadas! Cemitério de campanha, Rebanho negro de cruzes, Onde à noite estranhas luzes Fogoneiam tristemente; Até o próprio gado sente No teu mistério profundo Que és um pedaço de mundo Noutro mundo diferente. Pouso certo dos humanos Fim de calvário terreno, Onde o grande e o pequeno Se irmanam num mundo só. E onde os suspiros de dó De nada significam Porque em ti os viventes ficam Diluídos no mesmo pó. Até o ar que tu respiras Morno, tristonho e pesado, Tem um cheiro de passado Que foi e não volta mais. A tua voz, são os ais Do vento choramingando Eternamente rezando Gauchescos funerais. Coroas, tocos de vela De pavios enegrecidos Que tem Terços mal concorridos Foram-se queimando a meio Cruzes de aspecto feio De alguém que viveu penando E depois de andar rolando Retorna ao chão de onde veio. Mas que importa a diferença Entre urna cruz falquejada E a tumba marmorizada De quem viveu na opulência? Que importa a cruz da indigência A quem já não vive mais, Se somos todos iguais Depois que finda a existência? Que importa a coroa fina E a vela de esparmacete? Se entre os varais do teu brete Nada mais tem importância? Um patrão, um peão de estância Um doutor, uma donzela? Tudo, tudo se nivela Pela insignificância. Por isso quando me apeio Num cemitério campeiro Eu sempre rezo primeiro Junto a cruz sem inscrição, Pois na cruz feita a facão Que terra a dentro se some Vejo os gaúchos sem nome Que domaram este Chão. E compreendo, cemitério, Que és a última parada Na indevassável estrada Que ao além mundo conduz E aqueces na mesma luz Aqueles que não tiveram E aqueles que não quiseram No seu jazigo uma Cruz. E visito, de um por um, No silêncio, triste e calmo, Desde a cruz de meio palmo Ao irnais rico mausoléu, Depois, botando o chapéu Me afasto, pensando a esmo: Será que alguém fará o mesmo Quando eu for tropear no Céu??? Sempre grudado no posto O payador missioneiro Sente o calor do braseiro Batendo forte no rosto E vai mastigando o gosto Da velha infusão amarga, Sentindo o peso da carga Que algum ancestral comanda Enquanto o mundo se agranda E o coração se me alarga Sempre a mesma liturgia Do chimarrão do meu povo, Há sempre um algo de novo No clarear de um outro dia, Parece que a geografia Se transforma - de hora em hora E o payador se apavora Diante um mundo convulso Sentindo o bárbaro impulso De se mandar campo fora! Muito antes da caverna Eu penso - enquanto improviso, Nos campos do paraíso O patrão que nos governa, Na sua sapiência eterna E eterna sabedoria, Deu o canto e a melodia Para os pássaros e os ventos Pra que fossem complementos Do que chamamos poesia! Por conseguinte - o Adão, Já nasceu poeta inspirado, Mesmo um tanto abarbarado Por falta de erudição E compôs um poema pagão À sua rude maneira, Para a sua companheira, A mulher - poema beleza, Inspirado - com certeza Numa folha de parreira! Os Menestréis - os Aedos, Os Bardos - Os Rapsodos, Poetas grandes - eles todos, Manejando a voz e os dedos Vão desvendando os segredos Nas suas rudes andanças, As violas em vez de lanças, Harpas - flautas - bandolins, Semeando pelos confins As décimas e as romanzas! Tanto os poetas orientais Como os poetas do ocidente, Cada qual uma vertente, Todos eles mananciais, Nos quatro pontos cardeais Esparramando canções E - no rastro das legiões Do lusitano prefácio, A última flor do lácio Nos deu Luiz Vaz de Camões! No Brasil continental Chegaram as caravelas E vieram junto com elas As poesias - com Cabral, Para um marco imemorial Nestas florestas bravias Perpetuando melodias De imorredouro destaque: Castro Alves e Bilac E Antônio Gonçalves Dias! Neste garrão de hemisfério Quando a pátria amanhecia Surgiu também a poesia No costado do gaudério Na pia do batistério Das restingas e das flores E a horda dos campeadores Bárbara e analfabeta Pariu o primeiro poeta No canto dos payadores! E foi ele - esse vaqueano Do cenário primitivo, Autor do poema nativo Misto de pêlo e tutano, De pampeiro - de minuano, Repontando sonhos grandes; Hidalgo - Ramiro - Hernández El Viejo Pancho - Ascassubi Mamando no mesmo ubre Desde o Guaíba aos Andes! Há uma grande variedade De poetas no meu país, Do mais variado matiz Cheios de brasilidade, De um Carlos Drummond de Andrade Ao mais culto e ao mais fino, Mas eu prefiro o Balbino, Juca Ruivo e Aureliano, Trançando de mano a mano Com lonca de boi brasino João Vargas - e o Vargas Neto E o Amaro Juvenal, Cada qual um manancial Que ilustram qualquer dialeto, Manuseando o alfabeto No seu feitio mais austero, Os discípulos de Homero De alma grande e verso leve, Desde sempre usando um "breve" De ferrão de quero-quero! Imagino enquanto escuto Esse bárbaro lamento Que a poesia é o som do vento Que nunca pára um minuto, Picumã vestiu de luto A quincha do Santafé, Mas nós sabemos porque é Que o vento xucro não pára: São suspiros da Jussara Chamando o índio Sepé! Cabo de madeira branca E a folha de palmo e meio, Esta faca que palmeio, Sovando uma palha "buena", Larga, assim, como novena Nas festanças do Divino, Foi presente do Galdino Filho da Dona Pequena! Na prancha meio azulada Deste regalo campeiro, Está gravado um coqueiro Assim como um distintivo Que me faz lembrar, altivo, O charrua melenudo, Bombeando longe, sisudo, O velho solo nativo! É nesse ferro crioulo Que o meu fôlego embacia, A cancha reta bravia Por onde o fumo se espalha, Com ele eu ajeito a palha, Lonqueio, e aparo crina, E a barba, p'ra ver a china Quando não tenho navalha! Quando corto num churrasco Deixo branqueando o espeto, E se na encrenca me meto Não sobra garrão inteiro, Pois este ferro campeiro De ponta, como de prancha Tem mania de abrir cancha No costilhar do parceiro! Por isso é que ao te palmear, Sovando a palha do milho Eu sinto, ó rude utensilio, Que muito primeiro que eu O guasca já te benzeu Quando num berro de touro, Junto ao "bendito" de couro Nalgum rival te embebeu! E ao te arrancar da bainha De ponteira reforçada, Evoco a rudez passada Do teu áspero trajeto Quando o xiru analfabeto Contigo de companheira Nas andanças da fronteira Lonqueava o nosso dialeto! Traste mil vezes relíquia Por ser presente de amigo; Hei de levar-te comigo Sempre ao alcançe do braço E acolherar no teu aço O Presente e o Passado Até que pranche enredado Por algum "seio de laço"! E fica certo, Galdino, Ao te agradecer de novo, Que no singelo retovo Do meu gauderiar sem norte, Esta faca, enquanto corte, Até os últimos momentos, Há de estar lonqueando os tentos Da nossa amizade forte! Valente galo de rinha, guasca vestido de penas! Quando arrastas as chilenas No tambor de um rinhedeiro, No teu ímpeto guerreiro Vejo um gaúcho avançando Ensangüentado, peleando, No calor do entreveiro ! Pois assim como tu lutas Frente a frente, peito nu. Lutou também o chiru Na conquista deste chão... E como tu sem paixão Em silêncio ferro a ferro, Cala sem dar um berro De lança firme na mão! Evoco neste teu sangue Que brota rubro e selvagem. Respingando na serragem, Do teu peito descoberto, O guasca de campo aberto, De poncho feito em frangalhos. Quando riscava os atalhos Do nosso destino incerto! Deus te deu , como ao gaúcho Que jamais dobra o penacho, Essa de altivez de índio macho Ques ostentas Já quando pinto: E a diferença que sinto E que o guasca bem ou mal! Só lutas por um ideal E tu brigas pôr instinto! Pôr isso é que numa rinha Eu comtigo sofro junto, Ao te ver quase defunto. De arrasto , quebrado e cego, Como quem diz Não me entrego: Sou galo, morro e não grito Cumprindo o fado maldito Que desde a casca eu carrego! E ao te ver morrer peleando No teu destino cruel. Sem dar nem pedir quarteu. Rude gaúcho emplumado. Meio triste , encabulado, Mil vezes me perguntei Pôr que é que não me boleei Pra morrer no teu costado? Porque na rinha da vida Já me bastava um empate! Pois cheguei no arremate Batido , sem bico e torto .. E só me resta o conforto Como a ti, galo de rinha Que se alguem me dobrar - me a espinha Há de ser depois de morto! A la putcha meu patrício, Como é lindo e perigoso Quando um bagual baixa o toso Corcoveando num lançante Sabendo que àquele instante Só nos separam da morte As rédeas e a cincha forte Feita de couro e barbante! E como é lindo cruzar Enforquilhado nos bastos, Riscando o lombo dos pastos O mesmo que uma centelha Ou na várzea desparelha Pro índio sair passeando Depois de pisar na orelha! Quando piá, foi o prazer, Que nunca troquei por outro Saltar no lombo dum potro Quando a manada saía - Artes que a gente fazia, Se acaso estava solito, E depois pregava o grito Quando o bagual se perdia! Terneiro de marcação, Ao se levantar do pialo, Já me levava a cavalo Ali, bem sobre as cadeira. Les digo, é uma brincadeira Que a gente faz sem pensar, Mas é parte regular Da aprendizagem campeira! E cheguei até a pensar, Pobre guri sem estudo, No lombo dum colmilhudo Mais quente que amor de prima, Que Deus não fez melhor rima Do que as esporas cantando, Um redomão corcoveando E um índio grudado em cima! Cresci sabendo que o chucro Exige muito cuidado Mas que o cavalo aporreado Exige cuidado e meio. Levei algum tombo feio De grande e até de pequeno Mas cavalo que eu enfreno Dá pra dançar num rodeio! Mas pra aquele que não sabe Ensino como se faz, - É a moda do capataz Da estância onde fui guri - E posso mostrar aqui, Em linguagem resumida, As passagens dessa lida Da forma que eu aprendi. Me ajuda, amigo parceiro, Pega um laço, eu pego outro, Laça de vereda o potro Bem ali contra o gargalo Deixa que corra que eu pialo E enforca, que se boleia, E antes mesmo da maneia Mete o buçal no cavalo! Depois enfia o boçal, Porque o bagual não se amima, Que a língua fique por cima E bem cuidado o arrocho. E se for de queixo roxo, É bom dar algum tirão Que já levante do chão Meio tonto e garrão frouxo! Deixa, antes disso, o cabresto Apresilhado no laço, Pra evitar um manotaço Se o bagual le toma a frente - Nunca é demais ser prudente Lidando com animal. Se golpear, não puxe mal, Pra evitar que se arrebente. E depois de agarrar firme, No mão direita, o fiador, Leva a outra, sem temor, Na orelha esquerda do guacho E puxa firme, pra baixo, Mas tendo sempre o cuidado Pra que o bagual desconfiado Não enxergue onde me acho! Olha bem como se faz Vai a carona primeiro, Pois nem precisa bacheiro Nessa primeira encilhada. Lombilho, cincha apertada Bem sobre o osso do peito. Rabicho, pra agarrar jeito, Pelegos, cinchão, mais nada! Dá um nó nas rédeas, parceiro, Que a cousa fique parelha E depois me deixa a orelha E vai montando no más - Aprende como se faz, Pra que nada te aconteça, Cuida do potro a cabeça e atira o corpo pra trás! Não te preocupa com cerca, Que tu não anda sozinho, Saio junto e amadrinho Pra que não haja desconto. Finca-lhe o mango, de pronto, E as chilenas, mas cuidado Não olha pra nenhum lado Pra mode não ficar tonto! E ao passear tuas chilenas Das paletas à virilha, Vendo as gramas da coxilha Ora bem longe, ora perto, Tu compreenderás, por certo, Essa atração sem igual Que exerce em nós um bagual Berrando um cmapo aberto! Quando os corcovos pararem Deixa correr e golpeia, Flocha o corpo e ladeia, Puxando em cada costado Que o potro que é bem golpeado Ds queixos, não se retova, E já na terceira sova, Quando esbarra, está domado! Essa é a primeira lição, Mas não esquece parceiro, Do que te diz um campeiro, Que não foi arrocinado: - Um flete só é bem domado Quando é manso de garupa Pra poder levar num upa A china do nosso agrado. Seu nome - nunca se soube, nem ele mesmo sabia. Numa noite muito fria deu ô de casa na estância. Vinha de longa distância dos fundos da noite grande, mas nos galpões do Rio Grande isso tem pouca importância. Ninguém lhe perguntou nome nem lugar de procedência que vinha de outra querência se via no sufragante, um buenas noites vibrante de campeira fidalguia e a galponeira franquia: - ... Apeie... e chegue pra diante! O chapéu com barbicacho, negra e comprida melena, pele queimada, morena sem luxos na vestimenta, bombacha de brim - cinzenta, adaga e faca à cintura e um olhar misto ternura com lampejos de tormenta. Mi nombre es Hermano, hermanos disse - enquanto chimarreava à peonada que escutava mui atenta - por sinal, e no mesmo tom casual, palmeando a cuia de mate, afirmou como arremate: - Soy de la banda Oriental! Desde essa noite o Hermano ficou na estância - ajudando, que o índio que anda cruzando não se ajusta como peão, vai ficando no galpão - a velha casa reiúna - onde os párias sem fortuna buscam calor de fogão. Sempre alegre e prestativo, naquele meio dialeto, era um gaúcho completo, de ação pronta e destorcida, demonstrando em qualquer lida que era desses campechanos que já nasceram vaqueanos dos mil atalhos da vida. Depois que se enforquilhava no seu basto castelhano nem o bagual mais tirano sacava o índio dali. Aos gritos de ibi-bi-bi, ia surrando cruzado pulando mais que dourado nas enchentes do Ibicuí! Cantava uma flor de truco, à velha moda gaúcha e num jardeio - qüe pucha, sempre saía primeiro, corredor mui tarimbeiro, desses com sete sentidos que até parecem nascidos nas cruzes do parelheiro. Laçava... e como laçava, de a pé como de a cavalo, tanto fazia no pealo, ser sobre-lombo ou cucharra; companheiro numa farra dos que não refugam nada e que mão aveludada pra pontear uma guitarra. Quando cantava se via naquele olhar machucado o pensamento empacado nalguma reminiscência, talvez a velha querência longe na barra pampeana... talvez alguma paisana desgarronada na ausência... Numa milonga macia, numa cifra - num estilo nunca se viu como aquilo tamanha fidelidade, ora olfateando saudade numa nostalgia langue; ora farejando sangue num berro de liberdade. Quando os dedos se perdiam entre a quarta e a bordona pareciam vir à tona barbarescsa ressonâncias, clarins furando distâncias num último chamamento e laços cortando ventos no amanhecer das estâncias. Depois amaciava o tranco com patas aveludadas e evocava madrugadas com luas e meias-luas; pôr-de-sóis nas pampas nuas com romances proibidos nos pelegos estendidos para divãs das chiruas! Sábado encilhava o baio rumbeando aos ranchos da estrada, beber ternura comprada, onde os párias vão beber, pois nesse meio viver, o índio sem parador, nunca encontra o bebedor da sanga do bem querer. Foi num Domingo de tarde, ao retornar de uma andança, a noite caía mansa e o paisano vinha sério, o pensamento gaudério perdido longe... distante, sem saber que, logo adiante, ia enfrentar o mistério. Quando embicava no passo que faz fundo na invernada, já na boca da picada, o baio parou-se um gato, bufou com espalhafato, como prevendo tragédia, o índio bancou na rédea, já meio dentro do mato. Ouviu um - morre bandido dos covardes, de emboscada, já na primeira trovoada planchou-se o baio cabano. Baleado embora, o Hermano, ao se apartar do lombilho vinha puxando gatilho dum trinta e oito orelhano. Seis tiros dados no rumo e um alarido de morte. Depois, a sangueira forte e um frio que vinha do miolo mas o índio era crioulo, teve um sorriso esquisito: - não ia morrer solito, pra o taura, é sempre um consolo. E ajoelhado, atrás do baio, parceiro de mil jornadas, já de pupilas vidradas pela morte repentina, passou-lhe a mão pela crina, como quem nana criança e um arrepio de vingança escureceu-lhe a retina. Com três ou quatro balaços bordando a pele morena, nem ouvia a cantinela e o fogonear dos balaços, meio de arrasto - c'os braços, rumbeou para o tiroteio: - galo fino - no careio, coloreando de puaços... Era um gaúcho Oriental e um Oriental não recua, honra a tradição charrua e nem a morte o abala, no próprio sangue resvala mas segue no mesmo tranco, agora, de ferro-branco, porque jã não tem mais bala. Sente que a vista falta e uma bárbara dormência, mas resta-lhe uma incumbência nessa noite de Domingo, se entrevera e - no respingo, mete a adaga em carne humana, gritando em voz insana: - esta les doy por mi pingo! Com vinte e tantos balaços, escoriações e facadas, as roupas esburacadas, já cego - e peleando aos gritos, como a confirmar os gritos dalgum Confúncio campeiro: - Covarde morre ligeiro, o taura, morre aos pouquitos. Três mortos - mais o Hermano e o baio - morto encilhado, não foi identificado nem um só daquele trio, o restante, se sumiu, na imensidade campeira, deixando apenas sangüeira e o choro do vento frio. Nunca se soube o motivo daquela barbaridade, nem a própria autoridade nem gente da vizinhança. Foi com certeza, vingança, feita por gente mandada. Restam na velha picada quatro cruzes por lembrança. Seus nomes nunca se soube, três cruzes sem inscrição defronte - noutro munchão, uma cruz tem nome: Hermano. Descansa nela o paisano que usava melena preta, um poncho azul de baeta, montava um baio cabano. E lá está a cruz de pau ferro palanqueando o castelhano, último adeus do Hermano, na tarde triste e cinzenta, ao ver a cruz - representa que a gente vê - na lonjura, seu olhar, misto ternura, com lampejos de tormenta. O sol parece uma brasa na cinza do firmamento. Sobre o campo sonolento ninguém está de vigília, na lagoa - uma novilha, bebe - de ventas franzidas e duas graças perdidas sentam na grama tordilha. No galpão - tudo é silêncio, e a cachorrada cochila e a peonada se perfila, estirada nos arreios, só se escutam os floreios da mamangava lubana fazendo zoada, importuna, nos buracos dos esteios. Rompe o silêncio da seta na guajuvira da frente o tá-tá-tá impertinente do bico dum pica-pau. No galpão - um índio mau quase enleia na açoiteira a naniquinha poedeira que vem botar no jirau. Mas a soneira é mais forte do que os gritos da galinha e até as chinas da cozinha cochicham meio em segredo, Não há rumor no arvoredo, nos bretes e nas mangueiras, dormem as velhas figueiras só quem não dorme é o piazedo. É hora de caçar lagartos e peleguear camoatim, hora das artes sim fim que o grande faz que ignora e quanto guri de fora criado no desamor, numa infância de rigor só foi guri nessa hora. Hora de sesta - Saudades, de juventude e de infância, Hoje - ao te ver à distância, quando a vida já raleia, qual um sol bruxoleia num canhadão se perdendo, hoje - afinal - eu compreendo por que guri não sesteia! A cuia do chimarrão, É o cálice do ritual, E o galpão é a Catedral Maior da terra pampeana, Que de luzes se engalana, Para esperar o NATAL. A cuia aquece na palma Da mão da indiada campeira, Dentro da sua maneira, Rezando e chairando a alma, Para recuperar a calma, Que fugiu do mundo inteiro. Enquanto o estrelão viajeiro, Já vem rasgando caminho, para anunciar o "Piazinho", A Virgem e o Carpinteiro. Em nome do Pai, - Do Filho e do Espírito Santo, É o chimarrão que levanto, E o vento faz estribilho, A prece do andarilho, Ao Piazito Salvador, Filho de Nosso Senhor, Do Espírito e do Pai, De volta a terra aonde vai, Falar de novo em amor! Tem sido assim - dois mil anos, Ninguém sabe - mais ou menos, Vem conviver com os pequenos, De todos os meridianos, E repetir aos humanos, As preces de bem querer. Quem sabe até - pode ser, Que um dia seja atendido, E o mundo velho perdido, Encontre paz para viver. Ele sabe da apertura, Em que vive o pobrerio, A fome - a miséria - o frio, Porque passa a criatura, Mas que - inda restam - ternura, Amizade e esperança, É que pode, a cada andança, Mesmo nos ranchos sem pão, Aliviar o coração, Num sorriso de criança! Pra mim - que ouvi na missões, Causos de campo e rodeio, Do "Negro do Pastoreio", Cruzando pelos rincões, Das lendas de assombrações, E cobras queimando luz. Foste - Menino Jesus, O meu sinuelo de fé, Juntando ao índio Sepé, O Nazareno da Cruz! E a Santa Virgem Maria, Madrinha dos que não tem, Fez parte - sempre - também, Da minha filosofia, Eu que fiz de Sacristia, Os ranchos de chão batido, E que hoje - encanecido, Sou sempre o mesmo guri, A bendizer por aí, O pago que fui parido! E o Nazareno que vem, Das bandas de Nazaré, Chasque divino da fé, Rastreando a luz de Belém, Ele que vai morrer também, Pra cumprir as profecias. É Natal - nasce o MESSIAS, Salve o Menino Jesus! Mas o que fogem da luz, O matam todos os dias. Presentes - "Papais Noéis", Um ano esperando um dia, Quando a grande maioria, Sofre destinos cruéis. O amor pesado a "mil-réis", E mortos vivos que andam, Instituições que desandam, Porque esqueceram JESUS, O que precisa, é mais luz, No coração dos que mandam! Que os anjos digam amém, Para completar a prece, Do gaúcho que conhece, As manhas que o tigre tem. Não jogo nenhum vintém, Mesmo sendo carpeteiro, Mas rezo um Te-Déum campeiro, Nessa Catedral selvagem, Pra que faça Boa Viagem, O enteado do Carpinteiro! Quando de noite transito No meu gauderiar andejo, Me paleteia o desejo De encontrar-te, duende amigo, Pois sei que trazes contigo, Negrinho esmirrado e feio, O Rio Grande em pastoreio No sinuelo do passado, E que ali, no descampado Que a luz da vela clareia, O teu vulto esguio, bombeia, Como Deus de rito estranho, A gauchada de antanho Que se perdeu na peleia! Juntos iremos lembrar Aquele maula estancieiro, Que ao botar num formigueiro O teu corpo de criança, Cravou bem fundo uma lança No próprio ser do rincão; Trazer a recordação, Aquela velha tropilha, Que do topo da coxilha Esparramou-se a lo léu, Para juntar-se no céu Contigo e Nossa Senhora, E hoje cruza, noite a fora, No meio dum fogaréu! Hás de contar-me o que viste Na tua ronda infinita, Desde a povoação jesuíta Ao reduto Guaiacurú, Quando Sepé Tiaraju Morrendo de lança em punho, Dava um guasca testemunho Da fibra continentina, E quando, nesta campina, O velho pendão farrapo Cruzava altaneiro e guapo Como uma benção divina! Dizem que trazes por diante Dos fletes que pastorejas, Assombrações malfazejas Das campanhas do JARAU, Repontas o fogo mau, Do andarengo BOITATÁ, E vagando, ao Deus dará, Nessa ronda de amargura, Vives na eterna procura, Pelas canchas e rodeios, De prendas, trastes e arreios Extraviados na planura! Tu conheces os segredos De ranchos e cemitérios Onde paisanos gaudérios Assinalaram passagem, Revives cada paragem Numa evocação singela, Por entre tocos de vela De humildes promessas pagas Onde o S das adagas Fazia o papel de cruz, - E onde num raio de luz, Brilhava sempre a velinha, Invocando tu'a madrinha A Santa Mãe de Jesus! Presenciaste o velho drama Do gaúcho em formação, Quando este imenso rincão Era um selvagem deserto, Tudo céu e campo aberto E onde Deus Nosso Senhor Pós o guasca peleador, De lança e de boleadeira E mandou fazer fronteira Onde quisesse, a lo largo, Dando o pingo, o mate-amargo E a china pra companheira! Por tudo isso é que sofro Quando altas horas despontas Entre os fletes que repontas Num barbaresco tropel, Lembrando o dono cruel Que num gesto asselvajado Te fez cumprir este fado De andar penando no ermo, Esperando sempre o termo, Que tarda tanto em chegar, E onde haveremos de estar, Enquadrilhados a grito Diante do Deus infinito Que vai por fim nos julgar! E assim como tu, Negrinho, Que um dia foste espancado E por fim martirizado Num formigueiro do pago, O meu peito de índio vago Também sofreu igual sorte, E hoje vagueia, sem norte, Sem fugir, por mais que ande, Deste formigueiro grande Onde costumes malditos Tentam matar aos pouquitos As tradições do RIO GRANDE! A tarde recolhe o manto, carqueja e caraguatá; na corticeira um sabiá floreia o último canto! Alargando o gargarejo, da sanga que se desmancha, há um eco pedindo cancha no primitivo falquejo! A lua nasce num beijo, prateando o lombo do cerro e um grilo acorda um cincerro, do meu retiro de andejo! Paisagens de campo e alma perdidas no vem e vai, soluços do Uruguai que bebe lua e se acalma: a noite passa à mão salva, com ela vem a saudade, olfateando a claridade das brasas da Estrela D‘Alva! Nascem rugas no semblante, paisagens da natureza que a força da correnteza não pode levar por diante; então exige que eu cante quando me encontro desperto, mas sempre que chego perto meu sonho está mais distante! Paisagens de sombra e luz, como é que pude perdê-las? Ficaram as 5 estrelas fazendo o “sinal da cruz"! Raízes, tronco, ramagem... Ramagem, tronco, raiz... Abriu-se uma cicatriz de onde brotei na paisagem... O tempo me fez mensagem que os ventos pampas dirigem, Dos anseios que me afligem de transplantar horizontes, Buscando o rumor das fontes pra beber água na origem. Sobre o lombo da distância, de paragem em paragem, Fui repontando a mensagem de bárbara ressonância, Fazendo pátria na infância porque precisei fazê-la, E a Liberdade, sinuela, sempre foi a estrela guia Que o meu olhar perseguia como quem busca uma estrela. Pensei chegar alcançá-la, no estágio de índio rude, Mas nunca na plenitude, porque essa deusa baguala Que aos andejos embuçala, nunca ninguém alcançou, Bisneto nem bisavô, nos entreveros mais brutos, Labareda de minutos que o vento sempre apagou. Primeiro era o campo aberto, descampado, sem divisas... Com fronteiras imprecisas, mundo sem longe nem perto.. Eu era o índio liberto, barbaresco e peleador Rei de mim mesmo, senhor da natureza selvagem, A religião da coragem e o sol de bronze na cor Um dia veio o jesuíta a este rincão do planeta Vestindo a sotaina preta na catequese bendita Foi mais do que uma visita à minha pampa morena Bombeei por trás da melena, olhos nos olhos o irmão, E gravei no coração a santa cruz de Lorena! Mais tarde veio mais gente às minhas terras campeiras... A falange das bandeiras, impiedosa e inclemente... Me levantei de repente e as tribos se levantaram... As várzeas se ensangüentaram, elas que eram verdejantes, Mas eu venci os bandeirantes, que nunca mais retornaram! E depois vieram os lusos, os negros, os castelhanos, E nos pagos campejanos, novas normas, novos usos... As violências e os abusos da Ibéria, Castela e Lácio Que rasgaram o prefácio e mataram as plegárias E as ânsias comunitárias dos irmãos de Santo Inácio. Não pude deter a vaga de Andonega e Barbacena... Se a História não os condena, a mancha nunca se apaga! A opressão jamais indaga na sua ambição mesquinha, Era meu tudo o que tinha, era meu tudo o que havia, E eu morri porque dizia que aquela terra era minha! Mas o eterno não morre, porque permaneço vivo... No lampejo primitivo de cada fato que ocorre O meu sangue rubro corre na velha raça gaudéria, Corcoveando em cada artéria pela miscigenação Na bárbara transfusão com os andarengos da Ibéria... Fui sempre aquilo que sou, sou sempre aquilo que fui, Porque a vida não dilui o que a mãe terra gerou... Sou o brasedo que ficou e aceso permaneceu, Sou o gaúcho que cresceu junto aos fortins de combate E já estava tomando mate quando a pátria amanheceu!!! E assim, crescendo ao relento, criado longe do pai, Junto ao mar doce - o Uruguai -, o rio do meu nascimento, Soldado sem regimento no quartel da imensidade... Um dia me meu vontade, deixei crescer toda a crina E me amasiei com uma china que chamei de Liberdade! Por mais de trezentos anos fui pastor e sentinela Na linha verde e amarela, peleando com castelhanos, Gravando com "los hermanos" a epopéia do fronteiro! Poeta, cantor e guerreiro da América que nascia Na bendita teimosia de continuar brasileiro!!!! Com Bento em mil entreveros, em barbarescos ensaios... Depois contra os paraguaios, em Humaitá e Toneleros Andei em Monte Caseros, Paisandu, Peribebuí Passo da Pátria, Avaí... longe do meu território... E fui ordenança de Osório nos campos de Tuiuti Depois, em Noventa e três, na gesta federalista, A pátria a perder de vista, andei peleando outra vez... Sem soldo no fim do mês porque pelear era lindo, As espadas retinindo, chapéu batido na copa, Como carneador de tropa nas forças de Gomercindo Mais adiante, em Vinte e três, em Vinte e quatro de novo... É o destino do meu povo que assim altivo se fez, A marca da intrepidez deste velho território! Ante o bárbaro ostensório dos lenços rubros e brancos Acompanhei os arrancos do velho Flores, e Honório... Chimangos e maragatos, farrapos, federalistas Caminhadas e conquistas que a história guarda em seus fatos Os tauras intemeratos de adaga e pistola à cinta... Não há ninguém que desminta nossa estirpe de raiz Que se adonou da matriz nas arrancadas de Trinta Depois vesti a verde-oliva, como sempre voluntário, No "cuerpo" expedicionário, formando uma comitiva Da nossa indiada nativa pra responder um libelo E o pendão verde-amarelo, no outro lado do mundo, Cravei, bem firme e bem fundo, no velho Monte Castelo! Hoje, tempo de mudar, meu coração continua O mesmo tigre charrua das andanças do passado. Sempre de pingo ensilhado, bombeando pampa e coxilha... A pátria é minha família! Não há Brasil sem Rio Grande E nem tirano que mande na alma de um Farroupilha! Feliz Ano Novo - indiada, Feliz Ano Novo - gente, É a maneira reverente De iniciar esta payada, Nesta hora iluminada De pátria e de melodia E o payador se arrepia De tradição campesina Na primeira sabatina Do ano que principia! Cerimônia não preciso Para cantar - quando falo, Porque nasci de a cavalo No lombo de um improviso, Canto até o dia do juízo No estilo missioneiro E o meu verso galponeiro Dispensa qualquer prefácio, Tanto entra num palácio Como num rancho posteiro! O Ano Novo - parido, Anda aí - fazendo as suas, Pelos campos - pelas ruas, Potrilho recém lambido, Inda não tem apelido Porque é meio bagualão, Difícil de dar a mão E bombeando desconfiado Como china de soldade Em tempo de "prontidão"! Os homens do mundo inteiro Fizeram ajuntamento Pra assistir o nascimento Desse piazito janeiro E aqui no pago campeiro Toda a indiada se reuniu E reverente - assistiu, Com ternura - com afinco, Pra ver o "noventa e cinco" Que a noite grande pariu! Aqui no povo - as famílias, Fazem o tal "reveillon", Mas lá no campo - onde o som É o do vento nas flexilhas, Nós só fazemos vigílias Quando se reúne a pionada, Na volta da madrugada Ouviu-se um berro de touro, O ano macho - em vez de choro, Já nasceu dando risada! Sendo macho - é sempre assim, Já nasce enrugando a testa, Porque não vem pra festa "De circo de borlantim"; - Esse vai ser de cupim, Gritava um índio de lá, Vai ser "buerana" esse piá, Se não der urucubaca, Umbigo cortado a faca E enleado num xiripá! Eu ia bobeando o céu Na hora do nascimento E ouvindo o choro do vento Num barbaresco te-déum, Depois - tapiei o chapéu, Meio pra espantar o sono, Memoriando - com entono, Do índio da timbaúva Que Ano Novo é como chuva, Não tem patrão e nem dono! Entre um trago e um amargo, Recostado num esteio, Bombeava o piazito feio, Mas taluda - sem embargo, Sentindo no campo largo Cheiro de pasto e incenso Naquele desejo imenso De que este ano que nasce Faça que o homem se abrace No amor da paz e o bom-senso! Isso é um sonho, talvez seja, Do payador que improvisa, Mas um sonho se realiza Se - com fé - a gente o deseja, Mas - pra mim - que tenho a igreja No altar da geografia, Guardo essa filosofia De cruzador sem parança, Se não houvesse esperança Tudo que é pobre morria! Mas vou dar uma cruzada Lá pras bandas de São Luiz, Onde deixei a raiz Pra todo o sempre encravada, Terra santa - colorada, De sangue guasca tingida, Terra mil vezes querida Morada de São Sepé, Ali onde a indiada de fé Nasce com a alma encardida! Cruzando o Piratiny Vou ver as pedras no fundo, Santo pedaço de mundo Que deixei - mas não perdi, Voltar de novo a guri, À infância e adolescência, Rever de novo a querência, Num verdejo espiritual, Meu velho pago natal Onde mamei inocência! Depois - seguir olfateando Os recuerdos de criança, Procurando a sombra mansa Onde me criei tropeando E - logo adiante - cruzando No Passo da Laranjeira, Lá onde uma bugra parteira, Segundo o ritual antigo, Fez enterrar meu umbigo Na raiz duma figueira! Depois - matar a saudade, Se é que a saudade se mata, Bombeando a lua de prata Tropeando na imensidade, A infância e a mocidade E as ânsias deste índio cuera E as flores da primavera Que - sem querer - esmaguei E os sonhos que não domei Lá no "rincão da tapera"! Mas paro - porque a emoção Já me fez perder a calma, Tenho urumbevas na alma E um cerro no coração, Há um chamado de amplidão Que para longe me toca Atração que convoca De acordo com as velhas leis Vou dançar ternos de reis Nos ranchos da bossoroca! Um pealo - um tombo - grunhidos de impotente rebeldia, o sangue da cirurgia No laço e no maneador. Nada pra tapear a dor do potro que --- sem saber, perdeu a razão de ser na faca do castrador. Há um bárbara eficiência nessa rude medicina, a faca é limpa na crina que alvoroçada revoa, pouco interessa que doa, a dor faz parte da vida. Há de sarar em seguida, desde guri tem mão boa. Aprendeu --- nem sabe como, a estancar uma sangria. Sem noções de anatomia é um cirurgião instintivo que --- por vezes --- pensativo, afundou na realidade da crua barbaridade desse ritual primitivo. Já faz tempo --- muito tempo, que um dia --- na falta doutro, castrou seu primeiro potro, um zaino negro tapado. Que pena vê-lo castrado, o entreperna coloreando e os olhos recriminando, num protesto amargurado. Depois do zaino --- um tordilho, depois --- baios e gateados, um por um sacrificados pela faca carneadeira e o rude altar da mangueira a pedir mais sacrifícios dos bravos fletes patrícios, titãs de campo e fronteira. Por muitos e muitos anos andou nos galpões do pampa, castrando pingos de estampa com renomada experiência, cavalos reis de querência, parelheiros afamados, pela faca condenados a morrer sem descendência. Às vezes, durante a noite, um pesadelo o volteia e o remorso paleteia. Castrador!... que judiaria! E quando sem serventia por aí deixar semente no mundo onde há tanta gente pedindo essa cirurgia. E ali está --- defronte ao rancho, pastando o mouro do arreio, pingo de campo e rodeio que castrou --- quando potrilho. O mouro --- mesmo que filho do xirú velho campeiro, o último companheiro do seu viver andarilho. Na primavera --- outro dia, um potranca lazona, linda como temporona, vestida em pelagem de ouro, veio se esfregar no mouro, mordiscando pelo e crina, mais amorosa que china num princípio de namoro! E o mouro? --- pobre do mouro! Não pode ter namorada. Veio, direto à ramada, numa agonia sem fim, olhando pro dono, assim, num bárbaro desespero, como dizendo: parceiro, vê o que fizeste de mim!! Bendito aquele que estuda porque estudar é importante, embora o ignorante tem sempre um santo que ajuda, às vezes a sorte muda, quando existe um santo forte, cada qual procura um norte, por isso não encabulo - que a tava que bota culo é a mesma que bota sorte! Meu tetravô foi fronteiro, meu bisavô domador, o meu avô - alambrador e o meu pai foi carreteiro; a mim não sobrou dinheiro pra cursar a faculdade, mas tive a felicidade graças ao nosso senhor e me tornei payador pra guardar a identidade! O estudo é muito bonito e até muito necessário, mas este cantor primário, cruzando o pago infinito, continua - a trotezito, mesmo sem ser diplomado e me sinto conformado, o que é meu - ninguém me toma, pois duvido que um diploma torne um burro advogado! Como é lindo colar grau num salão de faculdade, embora essa qualidade não transforme o bom em mau, o Jayme Caetano Braun, dessa linha não se afasta, a inspiração não se gasta nem me torna mais cruel, eu conquistei um anel o de gaúcho - e me basta! Aquele ali, se esquentando, Que parece estar dormindo, É o velho “seu” Esmilindro Quando lhe falam, responde, Mas senão, vive calado, Olhar triste, entrecerrado Perdido, não sei onde! É desses índios de estância Que ninguém conhece o drama. Tem só os arreios da cama E um poncho velho que o cobre. E embora nunca se dobre, Nem ao guascaço mais duro, Pouco lhe importa o futuro, Pois já nasceu pra ser pobre! Conhece de tudo um pouco, Trança, laça e gineteia Não fala da vida alheia Nem se mete em discussão E já ao primeiro clarão, A estrela d’alva saindo Encontra o velho Esmilindro De pé, batendo tição! É quem recolhe os cavalos Bem antes que o dia venha, Puxa água e corta lenha Pra as chinocas da cozinha. É quem cuida de galinha E dá quirera pra pinto. Sabe tudo por instinto E o que não sabe, adivinha! Surgiu um dia na estância Ao tanco dum baio-ruano E ficou. Passou-se um ano, Foi ficando, até ficar... E ao fim de tanto penar Só tem, além da ossamenta, Esse fogo onde se esquenta E esse galpão que é o seu lar. A ninguém diz de onde veio Nem tampouco pra onde vai. Não tem mão, nem teve pai Que lhe acolherasse um nome E à medida que se some No tremendal da amargura Vai vendo que sem ternura As almas morrem de fome. Por isso é que ao pé do fogo Cabisbaixo e silencioso Vive a pensar no repouso Da cruz do campo, sozinha, Quando ali de tardezinha O vento for repetindo: Dorme aqui um tal de Esmilindro Que nem sobrenome tinha! Entre a Ponte e o Lajeado Na venda do Bonifácio Conheci o tio Anastácio Negro velho já tordilho; Diz que mui quebra em potrilho, Hoje, pobre e despilchado, De tirador remendado Num petiço douradilho... Quem visse o tio Anastácio Num bolicho de campanha Golpeando um trago de canha Oitavado no balcão, Tinha bem logo a impressão Que aquele mulato sério Era o Rio Grande gaudério Fugindo da evolução! A tropilha dos invernos Tinha lhe dado uma estafa, E aquela meia garrafa Dentro do cano da bota Contava a história remota Do negro velho curtido Que os anos tinham vencido Sem diminuir na derrota! Mulato criado guacho Nos tempos da escravatura Aquela estranha figura Na vida passara tudo; Ginetaço macanudo Já desde o primeiro berro Saia trançando "ferro" No potro mais colmilhudo! Carneava uma rês num upa Com toda calma e perícia! Reservado e sem maílicia, Negro de toda a confiança, Bemquisto na vizinhança, Dava gosto num rodeio, De pingo alçado no freio Pialando de toda a trança. Tinha cruzado as fronteiras Da Argentina e do Uruguai; Andara no Paraguai, Peleando valentemente, E voltara humildemente Como tantos índios tacos Que foram vingar nos Chacos A honra de nossa gente. Caboclo de qualidade Que não corpeava uma ajuda, Na encrenca mais peleaguda Sempre conservava o tino, Garrucha boca de sino Carregada com amor E um facão mais cortador Do que aspa de boi brasino! Porém depois que os janeiros Foram ficando à distancia, Andou de estância em estância E foi vivendo de changa: Repontando bois de canga, Castrando com muita sorte, E em tempos de seca forte Arrastando água da sanga ... Ficou sendo um desses índios Que se encontra nos galpões E ao derredor dos fogões Fala aos moços com paciência Do que aprendeu na existência, Ao longo dos corredores, Alegrias, dissabores, Curtidos pela experiência! Tio Anastácio p'ra aqui; Tio Anastácio p'ra lá... Mandado mesmo que piá Por aquela redondeza; Nos remendos da pobreza, Entrava e passava inverno, Como um tronco, só no cerno, Pelegueando a natureza! Por isso é que nos bolichos Só se alegrava bebendo, Como se cada remendo Da velha roupa gaudéria Fosse uma sangria séria Por onde o sangue do pago Se esvaísse, trago a trago, Por ver tamanha miséria! E até parece mentira - Negro velho de valor - Morreste no corredor Como matungo sem dono; Não tendo nesse abandono Ao menos um companheiro Que te estendesse o baixeiro Para o derradeiro sono! E agora que estás vivendo Na Estância grande do Céu Engraxando algum sovéu P'ra o Patrão velho buenacho, Não te esquece aqui de baixo Onde a 'lo largo- inda existe Muito xiru velho triste Como tu, criado guacho! O TRUCO é um jogo tão guasca Como a Tava e as Chilenas. Velhas cartas Sarrancenas Quatro a quatro, do Ás ao Rei Trucando assim me criei De Mano, Quatro, Oito ou Seis E até jogando de Três Muito Carancho tosei. Baralho e mando que cortem Dando por baixo, uma a uma, Cuidando se alguém se apruma Pra ver senha de jeito. É preciso muito peito Pra não sair do recau Olho esquerdo é o Ás de Pau Ás de espada - olho direito. Hay que ter muita malícia Que TRUCO é jogo do diabo. A senha do Sete Brabo Que vem primeiro, é o de Espada, Carta muito cobiçada Tem uma importância louca: Canto direito da boca Mais ou menos repuchada. Sete de Ouro, canto esquerdo, Carta de muita valia. Um pobre Três se arrepia Quando o Belo cai no cocho. Senha pra Dois é um muxoxo Que desnorteia o mais sábio. Pra Três, se morde o lábio Quando o jogo corre flocho. Quem joga bem, faz senha Até de Güeime e de Rei. Com Cavalo já ganhei E a Sota as vezes escora. No jogo hay sorte e caipora, Conforme a volta nos topa. Dei QUERO em cinco de copa Sem botar partida fora. Envite é o jogo dos pontos Digo ENVIDO ou REAL ENVIDO - A Falta seu atrevido! - QUERO mesmo e te esborracho! Trinta e dois é ponto macho, Trinta também é do diabo, Mas Trinta e Três é o mais brabo, Levanta os outros por baixo. São linda de ouvir-se as falas E os refrões do jogador. Três cartas de um naipe é FLOR Que a gente acusa cantando: "Iba a mis pagos rumbeando Derecho a mi podre Rancho Quando cruzome un caranho Mi FLOR de china llevando!" E assim meio entreverado Num dialeto de Fronteira Se canta FLOR de Abobreira, De Espada, de Ouro e de Pau: "Estaba un capincho anidau Haciéndo un cigarro de holla Diciendo a la panza floja Yo tengo FLOR mi cuñau!" " Su nombre, no era Floduarda, Ni tampouco Florentina, Su nombre era Florisbela E ahijuna! Que FLOR de china!" E assim, nessa relancina, Sem dar prejuízo nem lucro, O TRUCO é o jogo mais chucro Da carteação campesina. Com FLOR se pucha três tentos Seis pontos - Da CONTRA FLOR TRUCO é dois, seja onde for RETRUCO em três tentos fica. VALE QUATRO o nome explica Não precisa ensinamentos. Perde também quatro tentos Quando alguém com FLOR se achica. O ENVIDO começa em dois Quando o parceiro não pula Mas tem gente que nem mula Que vai até a FALTA ENVIDO. Geralmente o mais engrido Quando pegado em mentira Ri amarelo enquanto atira: "Vou le dar seu atrevido!" É bom que saiba quem joga: Jogandor nunca é sincero Pois "Queria" não é QUERO Nem "Vou le dar" tem valor. E aquele que fala FLOR Se não tiver, perde ponto, Isso acontece com tonto Quando se mete a cantor. De quatro, de Seis e de Oito Há um segredo entre os primeiros: Não brigar c´os companheiros E o Pé mandar na jogada. É a ciência mais acertada De quem maneja uma vaza: A primeira, sempre em casa, O resto se faz na estrada. E dizer, quando se é Pé: Companheiro! Não se afogue, Venha e nem negra me jogue Seu parceiro é taura forte. Com cueradas não se importe Se alguém lhe pulsear a vaza, Pois formiga cria asa Quando está querendo a morte. Se alguém le contrapontear Do outro lado da carona: - Rinho a ponto essa rabona - Pois não fio nem empresto, Erga sempre o seu protesto, Não fuja de pulseador, Nunca se achique com FLOR, Meta: - CONTRA FLOR O RESTO! Jogador é que nem china Não se contenta com QUERO E aquele Sete que espero Pra um Trinta e Três bem fanhoso Quase sempre é mentiroso Como promessa de amor E só louco truca FLOR Quando o naipe é perigoso. E com Trinta e Três de espada Nunca jogue o seis primeiro. FLOR pequena, meu parceiro, Sempre se canta em voz alta, Pois se a fraqueza ressalta Não faltará quem le minta. Com ponto abaixo de Trinta Não bote nem queira falta. Nunca tive pretensões De mestre nem professor Mas chambão cantando FLOR Jamais me rouba o sossego, Pois tirei, quando borrego, Meu diploma de carpeta Debaixo de uma carreta Sobre um carnal de pelego. E aprendi que nesse jogo Se mente grosso até a morte. A magra é a dona da sorte E tem tudo a seu favor, Mas comigo, não senhor, Pouco me importa o que faça Pode roubar-me a carcaça Mas morro cantando FLOR! Entendo. Envelheci entendendo. Bicho não tem alma, eu sei bem, mas será que vivente tem? Que diacho! Eu gostava do meu cusco. Era uma guaipeca amarelo, baixinho, de perna torta, que me seguiu num domingo, de volta de umas carreira. Eu andava meio abichornado, bebendo mais que o costume, essas coisa de rabicho, de ciúme, vocês me entendem, ele entendeu. Passei o dia bebendo e ele ali no costado me olhando de atravessado, esperando por comida. Nesse tempo era magrinho que aparecia as costela. Depois pegou mais estado mas nunca foi de engordá. Quando veio meu guisado, dei quase tudo prá ele. Um pouco, por pena dele, e outro, que nesse dia, só bebida eu engolia por causa dos pensamento. Já pela entrada do sol, ainda pensando na moça e nas miséria da vida, toquei de volta prás casa e vi que o cusco magrinho vinha troteando pertinho, com um jeito encabulado. Volta prá casa, guaipeca! Ralhei e ralhei com ele. Parava um pouco, fugia, farejava qualquer coisa, depois voltava prá mim. O capataz não gostou, na estância só tinha galgo, mas o guaipeca ficou. Botei o nome de sorro, as crianças, de brinquinho, mas o nome que pegou foi de guaipeca amarelo. Mas nome não é o que importa. Bicho não tem alma, eu sei bem. Mas será que vivente tem? Ficou seis anos na estância. Lidava com gado e ovelha sempre atento e voluntário. Se um boi ganhava no mato, o guaipeca só voltava depois de tirá prá fora. E nunca mordeu ninguém! Nem as índia da cozinha que inticava com ele. Nem ovelha, nem galinha, nem quero-quero, avestruz. Com lagarto, era o primeiro e mesmo piquininho corria mais do que um pardo. E tudo ia tão bem... Até que um dia azarado o patrãozinho noivou e trouxe a noiva prá estância. Era no mês de janeiro, os patrão tava na praia, e veio um mundo de gente, tudo em roupa diferente, até colar, home usava, e as moça meio pelada, sem sê na hora do banho, imagino lá no arroio, o retoço da moçada. Mas bueno, sou doutro tempo, das trança e saia rodada, até aí não tem nada, que a gente respeita os branco, olha e finge que não vê. O pior foi o meu cusco, que não entendeu, por bicho, a distância que separa um guaipeca de peão da cachorrinha mimosa da noiva do meu patrão. Era quase de brinquedo a cachorrinha da moça. Baixinha, reboladera, pêlo comprido e tratado, andava só na coleira e tinha medo de tudo, por qualquer coisa acoava. Meu cusco perdeu o entono quando viu a cachorrinha. E les juro que a bichinha também gostou do meu baio. Mas namoro, só de longe que a cusca era mais cuidada que touro de exposição. Mas numa noite de lua, foi mais forte a natureza. A cadela tava alçada e o guaipeca atrás dela entrou por uma janela e foi uma gritaria quando encontraram os dois. Achei graça na aventura, até que chegou o mocito, o filho do meu patrão, e disse prá o Vitalício que tinha fama de ruim: Benefecia o guaipeca prá que respeite as família! Parecia até uma filha que o cusco tinha abusado. Perdão, le disse, o coitado não entende dessas coisa. Deixe qu'eu leve prá o posto do fundo, com meu cumpadre, depois que passá o verão. Capa o cusco, Vitalício! E tu, pega os teus pertence e vai buscá teu cavalo. Me deu uma raiva por dentro de sê assim despachado por um piazito mijado e ainda usando colar. Mas prometi aqui prá dentro: mesmo filho do patrão, no meu cusco ninguém toca. Pego ele, vou m'embora e acabou-se a função. Que diacho! Eu gostava do meu cusco. Bicho não tem alma, eu sei bem. Mas será que vivente tem? Campiei ele no galpão, nos brete, pelas mangueira e nada do desgraçado. No fim, já meio cansado, peguei o ruano velho e fui buscá o meu cavalo. Com o tordilho por diante, vinha pensando na vida. Posso entrá numa comparsa, mesmo no fim das esquila. Depois ajeito os apero e busco colocação, nem que seja de caseiro, se nã me ajustam de peão. E levo o cusco comigo pois foi o único amigo que nunca negou a mão. Nisso, ouvi a gritaria e os ganido do meu cusco que era um grito de susto, de medo, um grito de horror. Toquei a espora no ruano mas era tarde demais. Tinham feito a judiaria e o pobrezinho sangrava, sangrava de fazê poça e já chorava fraquinho. Peguei o cusco no colo e apertei o coração. O sangue tava fugindo, não tinha mais esperança. O cusco foi se finando e os meus olho chorando, chorando como criança. Que diacho! Eu gostava do meu cusco. Bicho não tem alma, eu sei bem. Mas será que vivente tem? Nessa hora desgraçada o tal mocito voltou prá sabê pelo serviço. Botei o cusco no chão, passei a mão no facão e dei uns grito com ele, com ele e com o Vitalício! Ele puxô do revólver mas tava perto demais. Antes que a bala saísse, cortei ele prá matá. Foi assim, bem direitinho. Não tô aqui prá menti. É verdade qu'eu fugi mas depois me apresentei. Me julgaram e condenaram mas o pior que assassino, foi dizerem que o motivo era pouco prá o que fiz... Que diacho! Eu gostava do meu cusco. Bicho não tem alma, eu sei bem. Mas será que vivente tem? Perdoe Virgem Maria Por lhe tomar atenção, Envolvendo um coração Tão puro e tão adorado, Nesta miséria qu'eu trago, Que arrasto, é melhor que diga, Por esta terra inimiga, Onde nunca fui amado. A Senhora bem se lembra Que nem sempre foi assim... Embora não fosse em mim Que a fortuna tinha ninho, Eu bem que tive carinho E uma mulher cuidadosa Que me deixava de jeito, Um lenço branco no peito, A bombacha bem limpinha, Quando para a igreja eu vinha, No tempo qu'eu fui feliz. Agora olhe pra mim. Veja esta roupa rasgada Qu'eu carrego com vergonha. Parece que a gente sonha, Quando vê que não é nada Prá dominar o seu vício Quando eu morava no pago As vezes tomava um trago No mais prá molhá a garganta E agora querida Santa, Até virei cachaceiro, Depois que bebo o primeiro Não há nada que me pare. E depois até que eu sare Vem me subindo a cabeça Toda essa vida passada E o rosto da minha amada Enxergo assim como em sonho... Ó minha Nossa Senhora, Escute ao menos agora Um pedido que le faço. Sei que a morte já me ronda Pela porteira do rancho... Até já vejo os caranchos Rodeando em volta de mim. Reconheço o meu pecado, E quando tiver chegado Lá na fronteira do céu Vão me apontar outro rumo: - Ovelha com mancha preta Bota a marca na paleta Que só serve prá o consumo. - Prá mim não há mais remédio, Não é prá mim o pedido. Sou índio chucro vencido Pelo vício aqui do povo. Eu peço é pelo meu filho, Que abandonei lá no pago Quando a sina de índio vago Me arrebatou da querência. Proteja a sua inocência... Não deixe que o coitadinho Siga este duro caminho Que está seguindo seu pai. Que fique por toda a vida Grudado naquele chão, Que resista a tentação Com toda a força de machd, Que não morra como guacho Quando pará o coração. Canto agora nestes versos com meu grito entusiasmado a lida e o povo gaúcho neste rincão abençoado Quero falar do chimarrão do churrasco e do gaiteiro da linda prenda cheirosa e do ginete faceiro Das tropas cruzando as coxilhas na toada mansa do tropeiro nos tombos nas domas renhidas e do galpão hospitaleiro Canto o minuano cortante o poncho amigo e o laço a disparada da ema e a boleadeira cortando o espaço Exalto a história dessa gente valente, simples e altiva que tem a liberdade como semente brotando da terra nativa Sendo farrapo, chimango, maragato ou peleador no Paraguai são os rebentos deste Rio Grande os filhos honrando o pai Canto um tempo iluminado pelas faíscas das adagas pela prata dos arreios e pelos olhares das amadas Um tempo de muitas distâncias vencidas num lombo tobiano das frescas sangas de pedras e das noites no chão pampeano Vendo a tapera silenciosa sinto um aperto no peito lembrando o fio do bigode e outras tradições de respeito E me vem uma nostalgia infinita dessa vida gaudéria e passada uma amarga solidão sem consolo como a perda da mulher amada Mas sigo alimentando o braseiro e ao patrão do céu peço, sincero, que proteja este mundo campeiro e o grito do quero-quero Os velhos clarins de guerra desempoeirando as gargantas quero-querearam no pago. E o patrão coronelado, reuniu em torno parentes, posteiros, peões e agregados. Chegara um próprio do povo trazendo urgente recado que se ia pelear de novo e o coronel, satisfeito, dizia, fazendo graça: "vamos ver, moçada guapa, quem honra a estirpe farrapa e atropela numa carga por um trago de cachaça...Os velhos clarins de guerra desempoeirando as gargantas Um filho saiu tenente, o mais velho - capitão, um tio ficou de major. (o pobre que passa o pior, a oficial não chega, não: o capataz foi sargento, um sota ficou de cabo e a peonada, e os posteiros, ficaram soldados rasos pra pelear de pé no chão...) Carneou-se um munício farto - vindo de estâncias vizinhas - houve rações de farinha, queijo, salame e bolacha, se santinguando em cachaça a sede dos borrachões. E a não ser saudade e mágoa nada ficou pra trás a garganta dos peçuelos misturava pesadelos sanguessugando, voraz, cartuchos e caramelos, o talabarte e o pala, bolacha e pente de bala, fumo e chumbo - guerra e paz... No humilde rancho de um posto, um moço encilhou cavalo beijou a prenda e se foi. Na madrugada campeira luzia a estrela boieira sinuelando o arrebol e as barras de um dia novo glorificavam o horizonte lavando a noite defronte com tintas de sangue e sol. E durante largo tempo ficou a moça na porta olhando a estrada, a chorar, sem saber porque o marido tem que partir e lutar, não entendia de guerra! Pobre só votam em quem mandam e desconhece outra coisa que não seja trabalhar. Então a moça franzina tomou uma decisão! Esqueceu delicadezas, ternuras de quase -noiva e atou os cabelos negros debaixo de um chapelão e se atirou no trabalho, cuidando da casa e campo, do gado e da plantação. Emagreceu e tostou-se e enrijeceu como o aço! Temperando-se na luta madurou-se como a fruta que é torcida no baraço. Montou e recorreu campo, botou vaca, tirou leite e arrastou água da sanga. Fez do tempo a sua canga no lento girar do dia e quando as vezes parava comovida, acariciava o ventre, que pouco a pouco se arredondava e crescia. Só a noite, quando cansada fechava o rancho e dormia seu homem lhe aparecia: ora voltava da guerra, ora peleava - e morria!... Que triste o rancho vazio nas longas noites de frio ou nas tardes de garoa! Que medo de ir a estância! (e ao mesmo tempo, que ânsia de saber notícia boa!) Vizinha perdera o filho. pra outra, fora o marido. E um dos que tinham, morrido, um moço, que era tropeiro, quando feito prisioneiro tinha sido degolado sem nenhuma compaixão. E até um filho do patrão se ensartara numa lança em meio a uma contradança de berro, tiro e facão. E o fulano? Que fulano? Aquele, que era posteiro! Moço guapo! No entrevero é como um raio a cavalo. Trezontonte levou um pealo mas é sujeito de potra: já está pronto pra outra, sempre disposto e faceiro. E a moça voltava ao rancho, tão moça ainda, e tão só! E quando fitava a estrada, só via o vazio do nada, o nada o silêncio e o pó. Não sabe quem vem primeiro, se vem o pai, ou o filho. E os seus olhos, novo brilho roubaram de dois luzeiros. Cada noite, cada aurora, vai encontrá-la a pensar: quando o marido voltar, de novo estará bonita - novo vestido de chita e novo brilho no olhar. E quando o filho chegar, quantas cargas de carinho carretearão os seus dedos! Quantos e quantos segredos sussurrarão, bem baixinho! E para ele, os passarinho cantarão nos arvoredos... Qual deles chega primeiro? E se um deles não chegar...? Mas a guerra segue além, o filho ainda não vem e ela a esperar e a esperar!... Bendita mulher gaúcha que sabe amar e querer! Esposa e mãe, noiva e amante que espera o guasca distante e acaba por compreender que a vida é um poço de mágoa onde cada pingo d'água só faz sofrer e sofrer Nascido de alma caudilha - nem por isso menos franca - Deus te deu essa cor branca que até de noite rebrilha. Lua do herói na coxilha, por de eu for, onde eu ande e sem que ninguém me mande eu te canto, troféu mudo que é puro neste Rio Grande! Do pica-pau ao chimango vai um pedaço de glória e engarupo na memória com um guascaço de mango recuerdos de algum chatango que no passado ficou. Se eu sou assim como sou, entonado e orgulhoso, devo a ti, lenço glorioso, que eu herdei do meu avô. Das lágrimas de uma china quando seu índio partia, de uma lua que alumia debruçada na campina, de uma sanga cristalina que murmurava merencórea, do clarão de uma vitória deste povo leal e franco nasceste, meu lenço branco, para bandeira de glória! Teu gosto é andar voejando entre guerreiros e lanças e acalentar esperanças entropilhadas em bando. O futuro está chamando, já cumpriste o teu ideal porqe o Rio Grand eimortal fez de ti o seu retrato: oposto do maragato, puro, atrevido e bagual! Os avós eram de carne e osso. Tomavam mate, comiam carne com farinha, campereavam. Sopravam a chama dos lampiões, dormiam cedo. Os avós tinham braços e pernas e cabeça (olhai os seus retratos nas molduras). Laçavam de todo o laço, amanuseavam potros, fumavam grossos palheiros de bom fumo e amavam seus cavalos que rompiam ventos e bandeavam arroios como um barco ágil. Usavam lenços sob a barba espessa e o barbicacho lhes prendia ao queixo sombreiros negros para a chuva e sóis. Palas de seda para as soalheiras, ponchos de lá quando a invernia vinha. Tinham impérios de flechilha e trevo e famílias de bois no seu império. E eram marcas de fogo os seus brasões. Charlavam de potreadas e mulheres, de episódios de adaga contra adaga, do tempo, das doenças, das mercâncias de gado gordo para os saladeiros. Tinham homens a seu mando, os avós. No quartel rude dos galpões campeiros - enseivados de mate e carne gorda - os empíricos soldados madrugavam na luz das labaredas de espinilho que era sempre o primeiro sol de cada dia. Honravam os avós a cor dos lenços: - a seda branca dos republicanos, o colorado dos federalistas. E morriam por eles, se preciso, - coronéis de milícias bombachudas acordando tambores nos varzedos no bate casco das cavalarias. Nas largas camas de cambraias alvas vestindo o corpo da mulher mocita, juntavam carnes no silêncio escuro pautado por suspiros que morriam no contraponto musical dos grilos... Os avós eram de carne e osso. Tinham braços e pernas e cabeça, artérias, nervos, coração e alma. Humanos como nós, os velhos tauras, mas de bronze e de ferro nos parecem esses campeiros que fizeram história. Estátuas vivas de perenidade nos pedestais do tempo e da memória. Este cusco brasino, cara branca, pequenote e rabão, que o parceiro está vendo enrodilhado aí perto do fogão, foi mordido de cobra na paleta quando troteava atrás de uma carreta, cruzando um macegão. Resultou de tal manobra que o veneno dessa cobra cegou meu cusco rabão! Faz um tempão que se deu esse tropeço... Dava pena, no começo, ver o cusco, atarantado, pechar de frente e de lado, chorando como um cristão. Agora, vagueia solitário pelo pátio, perdido nessa noite sem aurora que um dia lhe desceu sobre a retina. Por isso, quando a noite se embalsama de perfumes e os pequenos e inquietos vaga-lumes acendem lamparinas nos brejais, eu maldigo a injustiça do destino quenao ouço o uivo triste do brasino chorando a lua que ele não vê mais. Há um potro dentro de mim, pedindo cancha. Sinto-lhe o bater do coração inquieto como um tambor a rufar em véspera de peleia braba. No meu olhar o seu olhar de fogo se confunde na ânsia de devassar a vastidão de todos os caminhos que os seus cascos de bronze e asas não pisaram. Potro de sangue ancestral, telúrico em seu ímpeto selvagem, maior porque contido no seu lance como um cartucho que sente o gatilho pronto para o tiro. Tudo o que fica além de meu passo de nômade prisioneiro, tudo o que não alcança o meu braço de músculos dormidos, tudo o que meu olhar não pressente na distância - isso tudo a chamá-lo, tudo a chamá-lo como um toque de cincerro no silêncio da noite. Seus ouvidos de animal selvagem são sensíveis ao apelo da distância, ao apelo da noite, ao grito dos que rompem cancelas e aramados para abrir a golpes de audácia o seu caminho de aventuras. Há um potro dentro de mim, pedindo cancha... No laço de chegada, que fica sempre além, e ainda mais além, e sol não se põe nunca, para vestir de ouro os que tiveram pata para engolir todo o estirão da raia que é um desafio de léguas pela frente. Mas como custa arrebentar o laço do andarível de partida desta cancha! Naqueles tempos, sim, naqueles tempos as casas já nasciam velhas. Naqueles tempos, sim, naqueles tempos, sim, naqueles tempos as casas já nasciam velhas. Eram uma casas cálidas, solenes sob as telhas portuguesas, maternais. Em pálidos azuis eram pintadas e em brancos, em ocres e amarelos. Algumas nem mesmo tinham reboco. Na carne dos tijolos mostravam-se nuas, abertas em janelas que espiavam da sombra verde para o sol das ruas. Naqueles tempos, sim, naqueles tempos tinham balcões e sacadas essas casas e úmidos porões e sótãos com fantasmas. E tinham jasmineiros sobre os muros e acolhedoras latrinas de madeira disfarçadas entre as plantas dos quintais. E laranjeiras e galos e cachorros um barril barrigudo cheio d'água e uma concha de lata para a sede. Nas varandas que eram frescas e abertas a moleza da sesta numa rede... Naqueles tempos, sim, naqueles tempos as portas eram altas e alto o pé-direito das salas dessas casas. Mas eram simples as pessoas que as casas abrigavam. Os homens chamavam-se Bento, Honorato, Deoclécio, as mulheres eram Carlinda, Emerenciana, Vicentina. Os homens usavam barbas e picavam fumo em rama, as mulheres faziam filhos, bordados e rosquinhas. Os homens iam ao clube, as mulheres À missa, e homens e mulheres aos velórios. Morriam discretamente e ficavam nos retratos. Naqueles tempos, sim, naqueles tempos a igreja tinha santos nos altares e havia mulheres rezando ao pé do santos. O padre usava uma batina cheia de manchas e botões, batizava crianças, encomendava os mortos, rezava a missa em latim: "Agnus Dei"... e comia cordeiro gordo na mesa do intendente. Os homens ajudavam nas obras da igreja, mas acreditavam mais nas armas que nos santos. Naqueles tempos, sim, naqueles tempos os chefes eram chamados "coronéis". Ganhavam seus galões debaixo da fumaça em peleias a pata de cavalo, garruchas de um tiro só e espadas de bom aço. As mulheres plantavam flores e temperos pois tinham mesma valia o espírito e o corpo. Sabiam receitas de panelas fartas, faziam velas de sebo e tachadas de doce e de graxas e cinzas inventavam sabão. Naqueles tempos, sim, naqueles tempos os bois mandavam nos homens, e por isso a vida era mansa na cidadezinha arrodeada de ventos, chácaras e estâncias. Os touros cumpriam devotamente o seu mister e as vacas, pacientes, pariam terneiros e terneiros e terneiros. O campo engordava os bois, as tropas de abril engordavam os homens e os homens engordavam as mulheres. Por isso a cidade chegou até aqui. Por isso estamos aqui - netos e bisnetos desses homens, dessas mulheres, netas e bisnetas. Por isso um berro de boi nos toca tanto e tão profundamente. Por isso somos guardiões de casas velhas, almas de sesmarias e de estâncias, paredes que suportam seus retratos. O músculo do boi na força que nos leva. A barba dos avós como um selo no queixo. O doce das avós na memória da boca e nela este responso: - Naqueles tempos, sim, naqueles tempos... As estrelas pediram, pediram um espelho pra Nosso Senhor. O Senhor, surpreendido, estranhando o pedido chamou por Maria. As estrelas pediram pediram um espelho pra Virgem Maria. Maria, tão boa! cortou do infinito um pedaço de céu, de um pedaço de céu Ela fez a lagoa. Ficou um buraco no forro do céu. Chamando Maria, lhe disse o Senhor: — Remenda o meu céu, que a idéia foi tua. Maria, sorrindo, rasgou o seu manto e pregou no infinito o remendo da lua. Lagoa! Sesmaria de águas claras deitada nos pedregulhos. Espelho grande onde as estrelas tolas vêm ajeitar o véu de lantejoulas. durante a longa procissão noturna. Quando ao sol da manhã tu te incendeias, uma orgia de penas te enfeita as areias e o silêncio se quebra a um concerto de pios. A quietude das águas nas praias mais rasas, se encrespa de gozo ao bulício das asas fazendo tremer os teus juncos esguios. Gamela onde bebem os bichos do campo nas praias sombreadas por salsos-chorões. Gamela de barro, de pedra e areia, tão cheia de água, tão cheia de juncos, tão cheia de flores azuis de aguapés... Lagoa noturna, salão das estrelas, Lagoa de luz, várzea grande de sol. Lagoa dos salsos e das corticeiras, lagoa onde mora o martim-pescador. Lagoa das lontras e das ariranhas, lagoa dos peixes e dos jacarés que brutos e rudes armando as carrancas, espreitam as garças — tão tristes, tão brancas! — que cismam em silêncio sobre os aguapés. Lagoa do campo, pedaço de céu! Cabelo era preto. Que liso era o rosto! Teu corpo era flor. Cabelo era preto. mas hoje, Mãe Velha, cabelo branquinho, geada e agosto que não levantou. Que liso era o rosto! Agora, Mãe Velha, rosto enrugadinho parece co'as frutas que o tempo secou. Teu corpo era flor. Mas hoje, Mãe Velha, da flor, que ficou? Só haste pendida que a vida deixou. A cor do cabelo passou pro vestido. O arado do pranto no liso do corpo que fundou que arou! A haste pendida curavada pra terra, e a terra reclama o que falta da flor. - Papai foi pra guerra! dizia o piá. Mãe Velha era moça no tempo que foi. Mas veio a notícia: - Teu homem morreu, de lenço encarnado e de lança na mão. E os homens passavam nos magros cavalos, com barbas de mato, com palas rasgados, com pena da moça, com raiva da guerra, que mata um gaúcho pra erguer um herói. Mãe Velha - era moça - chorou muito choro no seu avental! Abriu o oratório da sala do rancho, rezou padre-nosso por alma do homem que a guerra levara de lenço encarnado e de lança na mão. E a Virgem Maria, seu Filho nos braços, olhava mãe moça Mãe Velha ficar. E a vida espiava Mãe Velha viver: - madrugada na mangueira, leite branco na caneca, chaleira chia na chapa, costume faz chimarrão. Gamela, farinha branca, forno aceso, sova pão, charque magro na panela, canjica, soca pilão, manjericão na janela, vassoura roda no chão... E a vida cobrava tostão por tostão. Mãe Velha, mais velha, pagava pro tempo a usura do dia. Um sol que sumia era mais um dobrão. Piá se fez homem. Mãe Velha com medo da revolução Um dia, por fim, piá foi s'embora seguindo um clarim. Mesminho que o pai: de lenço encarnado e de lança na mão. Guria cresceu. Sobrou no vestido da chita floreada que a mãe lhe cozeu. Depois... se perdeu. Mãe Velha chorando o que a vida lhe fez, no velho oratório já reza por três. A noite tem fala na boca da noite, a vida é mudinha, nem boca não tem. Por isso que a vida ninguém não entende, Mãe Velha, ninguém. A vida, Mãe Velha, que é mãe e mulher. Traga de vez a garrafa, bolicheiro! me despacha, que hoje no mais se emborracha quem nunca se emborrachou. Quero beber no gargalo para esquecer o pialo que o tal de amor me atirou. Sou índio duro de queda mas fui pegado de jeito. Bateu-me a argola no peito e ali no mais me planchei. Sempre fui solto de pata mas nessa volteada ingrata num tacuru tropecei! Sucede que eu não sabia quanta manha se requer pra se correr com mulher na cancha reta do amor. Desci confiado pra raia... Perdi pro rabo de saia sem sair do partidor! Caí no tiro de laço de um olhar de china atrevida, que embuçalou minha vida na armada negra das tranças, pra depois de ter-me preso marcar-me com seu desprezo na picanha da esperança. Desprezo não há quem cure, não há remédio que impeça, não há reza, nem promessa que lhe conserte o estrago. Por isso, seu boiicheiro, pra aparceirar o primeiro ponha no mais outro trago! Vago é meu pago. Este que trago, cicatriz em mim, Raiz de minhas íntimas origens, veio subterrâneo de onde vim. Vago é meu pago. Este que trago, em músculos e ossos. Inteiro como foi porque é memória, flor de perenidade entre destroços. Vago é meu pago. Este que trago, como sombra e manto. É meu destino a cruz de sustentá-lo nos alicerces de vento de meu canto. Dou rédea aos potros que monto na concha das invenções, puando esporas de tempo no pelo dos redomões. Visto minh'alma por dentro em dias de tempo feio. De mim recorro alambrados, paro meus próprios rodeios. Visto minh'alma por fora em dias de ressolana. O sol me alumbra no cerne com seus candieiros de chama. Timbram cincerros de bronze no canto de um galo rubro, e eu madrugando luzeiros a mim mesmo me descubro. Chairo a memória e percebo que meus rumos não perdi: quem nasceu para andarilho inventa ventos em si ... Vendeu os gados e arrendou os campos. Reservou-se apenas, as casas da Estância, o potreiro da frente e o antigo pomar. Comprou apartamento na cidade. Subiu do chão onde plantava botas para os carpetes de sala de um décimo andar. Chegaram os gringos de longe e seus tratores, seus arados de disco, suas grades, seus caminhões, suas colheitadeiras. As redondas coxilhas, puro trevo - florões de campo para a gadaria - foram lavradas da vertente ao cimo e as semeadeiras lhes plantaram, ágeis, os grãos de vida do primeiro trigo. Posto abaixo os umbus campeiros a cuja sombra de abrigavam gados da viva força do sol, pelos verões. Só um angico ficou na coxilha mais alta. Sentinela de galhos que acenam como a chamar de volta à sesmaria o patrão que se foi a outros rumos, deixando a Estância - como quem deserta de um campo de batalha conquistado. E um patieiro ficou a reparar as casas. Vestusta assombração arrastando alpargatas pelo arvoredo em flor, pelos pátios desertos. Fazendo fogo pelas madrugadas no galpão que restou abandonado da charla viva dos peões de ontem, um a um despachados - que a lavoura não reserva lugar para os campeiros. Pobre patieiro! A matear solito, sem outro companheiro que o silêncio que é irmão gêmeo dos que vivem sós. Nem um berro de touro nos rodeios! Nem um relincho de potro clarinando no campo onde as tropilhas retouçavam! Os galos da manhã - seu canto alegre - emudeceram, como por respeito à Estância velha que ficou plantada como um taura finado que enterrassem tal um palanque de pé, na vertical. Outros ruídos cincerreiam os ares que era um manto de azul animado por asas de garças, quero-queros e joão-grandes: - o ronco dos tratores e das máquinas, o sincopado metralhar dos geradores das bombas a beber águas do rio. Estranhas vozes aos ouvidos da Querência que adormecia nos bordões chorados de uma viola ponteando a "Prenda Minha" de uma gaita ressongando o "Boi Barroso"... Longe dali, no apartamento alto, um homem pensa, um homem lembra, Um homem dói-se. Olha os campos além, azulecidos. Na barra do horizonte de seus pagos, onde a alma ficou-lhe, como um pala de alva seda sobre um tronco morto. Nem a conta bancária lhe consola, esta que é gorda dos arrendamentos mas leva marca e sinal de lavouras alheias que mãos estranhas plantaram em suas terras - campos de pai, campos de avós, seus, mas não seus.... Agora zanza pelas ruas loucas perdido nelas e perdido em si. No Sindicato Rural charla com outros que como ele abandonaram os potros Pelos cavalos-motor dos automóveis. O mate corre e a conversa pára. E nesta pausa lhes dói como a urtiga o haver trocado a dura-doce vida antiga por um contrato com timbres de cartório e entrelinhas de amargo no seu texto. Exilados da Estância , se compreendem. O mate pára e a conversa anda. Recuerdos chegam sem pedir permisso: - vestem-lhes botas, calçam-lhes esporas, abrem-lhes várzeas para o vôo dos fletes, rodilhas largas para o doze braças, covas de touro para um tombo feio. É o que lhes resta dos arrendamentos: - um rodeio de duros pensamentos e uma conta bancária que lhes paga a prisão alta em seus apartamentos. O trigo, a soja, os milharais, o arroz... Um século de Estâncias nas lavouras e uma risada solar de espigas loiras na terra que irmanou campeiro e bois. Sempre a tocar o cavalo João da Gaita se criou. Nem sabia o que buscava - se estrela, estrada, horizonte. Andava como os arroios que desprendidos da fonte procuram seu próprio curso pelos acasos do chão. O claro clarim dos galos cada nova madrugada já o encontrava encilhando para a invenção de outro rumo. E as nazarenas cantavam em contraponto aos cochichos - elas também dois galitos armados em couro e prata, com esporões de treze pontas sonorizando as manhãs. Quando a noite era mais clara e o caminho parecia um longo rio preguiçoso entordilhado da lua, João da Gaita e seu cavalo lembravam, pelo perfil, um barco a vela fugindo pelas pratas deste rio ... Se alvorotavam as estâncias quando o gaudério chegava no seu jeitão despachado de índio caminhador. Na garupa a oito-baixos que só faltava falar, e na garganta as notícias do mundo velho largado por onde houvera cruzado na sua sina de andar. Eram novas de peleias, de mercancias e cambichos, de sucessos em bolichos, conchas de tava e carreiras, e tudo à sua maneira de entender o assucedido, filosofando comprido como um rábula sabido em tricas de tribunal. À noite, rente do fogo, o andarengo abria a gaita como quem abre um missal. Oficiante extraordinário que das pautas do hinário só repicava aleluias para o concerto ritual. Quando estirava os dois braços abrindo os foles da gaita, o celebrante do ofício recordava Jesus Cristo no lenho do sacrifício no seu Dia da Paixão... E o fogo bordava rendas no bastidor estirado do santa-fé do gaipão. E a cuia fazia roda na ciranda centenária da volta do chimarrão. E a gaita velha chorava que nem china candongueira que enfrenou para carreira o flete do coração. Cantava o primeiro galo. Mais um mate, e o andarengo sentava os recaus no pingo para a jornada do dia. Quando o sol aparecia, João da Gaita, lá da estância, lembrava, já mui longito, no pala branco abanando algum joão-grande voando na direção do infinito ... Um dia, no pampa largo, clarins de guerra tronaram chamando à revolução. Pelas estâncias e vilas caudilhos juntavam gente pra o entrechoque iminente jogando irmão contra irmão. João da Gaita, o andarengo, mesmo pouco percebendo qual o sentido da luta também foi na reculuta como vaqueano da tropa. Quando os caudilhos gritavam pela coragem dos tebas, nas cargas de espada e lança os cascos da cavalhada multiplicavam tambores no couro tenso do chão. Era a luta - transformando cada local de combate num campo-santo onde as cruzes eram o "esse" das adagas espetadas contra o céu. Nos fogões de acampamento, pelos alces dos combates, a velha gaita se abria num responso varonil. E a indiada lembrando bailes, surungos de trocar passo, ia marcando o compasso na coronha do fuzil. E João da Gaita pensava olhando as mãos nas hileiras que aquelas manoplas largas por tempos de paz e guerra tinham distinta função. Pelos combates e encontros empunhando adaga e lança, semeando a destruição, e nos descansos da luta puxando a gaita manheira nas comunhões de alegria das rodas de chimarrão. La fresca, não entendia por que sina Deus lhe dera duas funções tão distintas para o mesmo par de mãos. Porque a lo largo entendia que pelear estava errado quando no campo da luta justava irmão contra irmão. - Ah, se pudesse algum dia ver a querência irmanada sem que faltasse nenhum num grande baile comum à sombra de uma ramada E ele de gaita estirada que nem cobra em ressolana, compassando a meia-canha das polcas de relação ... Lá um dia percebeu, para o seu entendimento de índio meio bagual, que o que chamavam "ideal" era apenas, bem pensando, ambição pura de mando dos chefões da capital. ... daqueles que concitando a gauchada ao combate ficavam tomando mate peleando só por jornal... ... desses que sonham, afinal, por chegar de qualquer jeito, seja forçando um direito, seja quebrando um acordo, ao saleiro de boi gordo da governança estadual. Numa noite muito escura atou a gaita nos tentos e, pingo pelo buçal, largou-se do acampamento três horas antes do dia para mandar-se a la cria direito à Banda Oriental. Desertor? Talvez o fosse, fazia pouca questão. Mas desertor por consciência, ficasse bem entendido - soldado não é bandido para abater um amigo só porque manda o chefão... Nunca mais se soube dele, porque nunca mais voltou. Quem sabe pra não ouvir pelas charlas de galpão a tristeza dos assuntos lembrando os louras defuntos sacrificados em vão. Quem sabe pra não ouvir sua história mal contada por quem jamais a entendeu. Por quem apenas colheu de um gesto todo razão a mentirosa aparência de ter negado a querência como covarde e fujão... Morreu, decerto, sem ter realizado o seu sonho, que é a impossível miragem dos puros de coração: Ver a querência irmanada sem que lhe falte nenhum num grande baile comum à sombra de uma ramada ... Como talhado em pau-ferro, o carão de traços duros, o bigodão mal cuidado desabando sobre os lábios; par de asas mui cansadas de um avejão de cor negra. Melena de muitos meses, sobrando por sobre a gola e o colorado de um lenço, sangrando em riba do peito. A bombacha de dois panos, remangada sobre a bota. Os cravos da espora grande mordendo a franja do pala, bem atirado pra trás. No fivelão da guaiaca, luzindo em campo de prata, o louro das iniciais. Sobrando da faixa negra que lhe abarcava a cintura, o cabo entalhado em chifre da xerenga de dois palmos. Um relho, trança de oito, vinha arrastando a açoiteira dependurado no pulso pelo tento do fiel. Pela rédea, o azulego, se via que flor de flete malgrado a estampa judiada de pingo que muito andou. Foi assim que há muitos anos bateu nas casas da estância o celebrado bandido chamado “Estácio Arijo”. Bandido para a justiça, por seu respeito se explique, que as razões de um índio macho nem sempre são bem aceitas pelos códigos e leis. Bandido por ter sangrado, igual de raiva e de armas a um cujo que desonrara a mais moça das irmãs. Bandido, porque apertado entre as brigadas e a enchente, já não podendo escapar por debaixo da fumaça, matou um dos quatro praças que lo quiseram carnear. Bandido, porque seguido por milicadas sequiosas de uma vingança total, fugiu da estrada real para o mais fundo dos matos, carneando chibos alheios para o churrasco sem sal. Bandido, porque enleado na rudez da ignorância, fez da fuga e da distância seu modo de mal viver; porque quis a sina ingrata, que nunca tivesse plata para pagar um bacharel. Bandido, porque não teve, a exemplo de tanta gente, cancha livre, costas quentes, à sombra de um coronel. E assim viveu como bicho, pelos fundões das fazendas, a carregar a legenda de perigoso e assassino, ximbo, bagual, teatino, com fama de touro alçado, tragando o duro guisado que lhe picava o destino. N’algum bolicho de estrada boleava a perna cestroso, pelos domingos de tarde. Para um cantil de cachaça, meio quilo de bolacha mais um punhado de sal. Olhava de olhos compridos para o mais das prateleiras, pra um bom fumo amarelinho, pros maços de palha buena, para a erva de palmeira, num saco sobre o balcão. Mas vinha curto seu cobre, mal e mal traz precisão; o bolicheiro era pobre, e ele não era ladrão. E a polícia no seu rastro, malgrado o tempo passado, perseguido e acuado por plainos e socavões, sempre mudando de pouso pra confundir os milicos, que em manhas sim, era rico, por evidentes razões. Cansou-se um dia, afinal, daquela vida de bicho, daquele estranho cambicho com as más volteadas da sorte, de não ter rumo nem norte, não ter descanso ou sossego. E assim bateu cá na estância, naquele entono de taita que manda parar a gaita por ter cansado do baile. E ao patrão, velho Boerana, pediu Estácio Arijo que mandasse algum chirú levar ao povo um recado: que viesse o delegado, que ele afinal resolvera: ele, o bandido; ele, o maula, trocar o largo dos campos pelo encolhido das jaulas. Nas suas noites de insônia, entre um pelego e as estrelas, conseguira convencer-se que, sendo justa, a justiça lhe entenderia as razões e lhe daria, a lo muito, poucos anos de condena ou mesmo absolvição. Foi então, que a meia tarde, num fordecão atochado, deu na estância o delegado com quatro praças por quebra para formar o sarilho: quatro fuzis embalados, quatro dedos no gatilho. Então ... Estácio Arijo tomou seu último mate, no mesmo entono de guapo que era seu jeito de sempre, arrastou a espora grande na direção dos milicos. - Nem mais um passo! gritou-lhe num gritinho de falsete, o delegado, um joguete nas mãos do chefe local. - Levante as mãos! - Largue as armas! - Esteje preso, seu bandido, seu metedor de pendenga! E o Arijo, decidido a entregar-se sem briga, levou a mão à barriga para descartar a xerenga. - Cuidado! Berrou um praça. Tremeram cinco covardes; e na calma desta tarde berraram quatro fuzis, quatro sóis de fumo e sangue se lhe acenderam no peito. Foi desabando aos pouquitos de frente para os milicos, no jeito de um velho angico caído junto às macegas que lhe envejavam o entono. E já quase adormecendo para o derradeiro sono, quatro vezes mal ferido, teve ainda tino e ouvido para escutar um dos cinco que lhe gritava: - Bandido! Caiu ... olhando pro céu, tinto de sangue e de luz. Dava-lhe o sol pela frente, como a incendiar-lhe a figura, a mais rica das molduras para enquadrar um valente ! Um palmo e pico de aço, rude e glorioso pedaço da espada de um general. Cabo de prata estrangeira - velha faca brigadeira que nunca me deixou mal. Nesse tempo eu era moço, não tinha o sangue tão grosso nem a memória tão fraca. Índio gaudério sem marca era maior que um monarca quando empunhava essa faca. Mas não era compra-briga, desses que enchem a barriga em bochinchos de galpão. Mui amigo do sossego não arriscava o pelego em "rolos" sem precisão. Mas quando lá volta e meia me entreverava em peleia por honra ou obrigação, afrontava qualquer risco e essa faca era um corisco brigando na minha mão. Sei que há quem ria disso: - a faca tinha feitiço, coisa botada, sei lá! Se escapava da bainha e ia brigar sozinha se eu deixasse ela brigar! Mas Dom Tempo barbaçudo que dá sumiço em tudo, coisa viva e coisa morta, foi-se chegando ronceiro, cruzou sem pressa o terreiro, passou depois pela porta. Quantas vezes já nem lembro, vi enfeitar-se setembro com as flores roxas do ipé. Do moço de antigamente resta este trapo de gente que mal e mal fica em pé... E a velha faca amigaça me acompanhou na desgraça, me aparceirou na miséria. - Extraviada da bainha, ainda lá pela cozinha nas mãos da negra Quitéria. PRENDA RODEIO 222222222228 de janeiro a 01 de fevereiro de 2009XIV Festa Nacional do Churrasco XIX Rodeio Crioulo Nacional V Mostra de Fotografias, Doces e Comida Campeira 2222222222222 22222222222222 Warning: mysql_fetch_object(): supplied argument is not a valid MySQL result resource in /home/ctgalexandrepato/www/google.php on line 129 1111111111111111111 22222222222222 Premiação das Provas Campeiras Laço Piá 1º lugar – Tobias Magnabosco – CTG Neco Goularte de Ciríaco/RS. 2º lugar – Daniel Pereira – Piquete Presilha do Rio Grande de Lagoa Vermelha/RS. Laço Guri 1º lugar – Aloísio Dus Martins Neto – CTG Campo Alegre de Palmas/PR. 2º lugar – Claudio da Silva – Piquete Presilha do Rio Grande de Lagoa Vermelha/RS. Laço Prenda 1º lugar – Fabiana Mendes – Rincão dos Mendes de São José do Ouro/RS. 2º lugar – Renata Baldi Rodrigues – Família Rodrigues de Ibiraiaras/RS. Laço Veterano 1º lugar – Ari Alves Monteiro – Piquete do Cambará de Tupanci do Sul/RS. 2º lugar – Rubens Rogério Leite – Lenço Colorado de Lages/SC. 3º lugar – João Alves de Lima – Piquete Passo do Lima de Lagoa Vermelha/RS. Laço Vaqueano 1º lugar – João Leal dos Santos – Piquete Porteira da Esperança de Lagoa Vermelha/RS. 2º lugar – Canecio Pain Soares – Piquete Porteira da Esperança de Lagoa Vermelha/RS. Laço Capataz 1º lugar – Juliano Agostineto – Pialo da Saudade de Lagoa Vermelha/RS. 2º lugar – Roberto Barreto – CTG Gaudério Serrano de Bento Gonçalves/RS. Laço Peão Curso Superior 1º lugar – Tiago de Oliveira Jackes – Veterinária – André da Rocha/RS. 2º lugar – Fernando Muliterno – Administração de Empresas – Caseiros/RS. Laço Pai e Filho 1º lugar – João Adélio da Silva e Claudio da Silva – Piquete Presilha do Rio Grande de Lagoa Vermelha/RS. 2º lugar – Pedro Alderico Andrade e Gustavo Andrade – Piquete Cambará de Tupanci do Sul/RS. Laço Dupla de Irmão 1º lugar – Ademir de Lima e Ademar de Lima - CTG Neco Goularte de Ciríaco/RS. 2º lugar – José Sergio Lopes e Jeferson Lopes – Vento Minuano de Carazinho/RS. Chasque 1º lugar – Joaquin Leonel Andrade, Tiago Lima, Mauricio Andrade, Cristiano Lima e Adolfo Sechin – Passo do Lima de Capão Bonito do Sul/RS. Laço Dupla Força A 1º lugar – Rodrigo Oliveira e Jeferson Lopes – Vento Minuano de Sarandi/SC. 1º lugar – Alan da Silva Soares e Thaian Rodrigues – CTG Paulo Serrano de São Leopoldo/RS. 1º lugar – Rafael Godinho e Benício Warmeling – Os Praianos de São José/SC. 1º lugar – Alan da Silva Soares e Gilberto Soares – CTG Paulo Serrano de São Leopoldo/RS. Laço Dupla Força B 1º lugar – Vitor Jonas Freitas e Fabio Gonçalves dos Santos – CTG Tapera Velha de Campos Borges/RS. 1º lugar – Gilson Alves dos Santos e Fabio Gonçalves dos Santos – CTG Tapera Velha de Campos Borges/RS. Laço Dupla Quinta-Feira – Moto 1º lugar – Valdir Uppes e Idemar Foscarini. 1º lugar – Edivaldo Souza e Marcelo Varaskin. Laço trio 1º lugar – Marcos Ávila, Junior Ferreira e Daltro Ferreira. 1º lugar – Gilberto Soares, Pedro Jair Rodrigues e Thaian Rodrigues. Laço ex-patrão CTG Alexandre Pato 1º lugar – Alvicio Teles, CTG Alexandre Pato de Lagoa Vermelha/RS. 2º lugar – Miguel Ferreira, CTG Alexandre Pato de Lagoa Vermelha/RS. 3º lugar – Nicanor Lima, CTG Alexandre Pato de Lagoa Vermelha/RS. Laço Patrão 1º lugar – Luiz Ramos Filho, Tropilha Farrapa, Lages/SC. 2º lugar – Samir Três, CTG Chama Crioula de Muliterno/RS. Laço Seleção entre Municípios 1º lugar – Vacaria/RS. Rédeas Piá 1º lugar – Igor Rankrappe, Piquete Santo Antonio de Lagoa Vermelha/RS. 2º lugar – Geovane Teles de Melo, Herança Gaúcha de Lagoa Vermelha/RS. Rédeas Guri 1º lugar – Leone de Castro, Os Praianos de São José/SC. 2º lugar – Leovaldo Zanin Junior, Centro de Lazer dos Assis de Lagoa Vermelha/RS. Rédeas Peão 1º lugar – Bernardo Hoffman Teles, Bombacha Preta de Lagoa Vermelha/RS. 2º lugar – Paulo Passos, Velha Carreta de Caxias do Sul/RS. Rédeas Prendinha 1º lugar – Chirlei Passos, Velha Carreta de Caxias do Sul/RS. 2º lugar – Roberta Borges de Mello, Centro de Lazer do Assis de Lagoa Vermelha/RS. Rédeas Prenda 1º lugar – Thais de Almeida, Velha Carreta de Caxias do Sul/RS. 2º lugar – Gleice Rankrappe, Piquete Santo Antonio de Lagoa Vermelha/RS. Crioulaço 1º lugar – Gilson Santos, animal: JV Favo de Cheiro – RP 51; Fábio Santos, animal: Marca Onze 67 Gaita Ponto – RP 67. 1º lugar – Paulo Telles, animal: Preto Aldeana – RP 101; Antonio Telles, animal: Girassol Arrojado – RP 01. Laço Vaca Parada Prendinha 1º lugar – Luiza de Castro, Os Praianos de São José/SC. Laço Vaca Parada Piazito 1º lugar – Joel Rodrigues, Amigos da Querência de Caseiros/RS. Laço Vaca Parada Piá 1º lugar – Lyncon da Costa, Potro sem Dono de Lagoa Vermelha/RS. Premiação das Provas Artísticas Declamação Feminina Adulta 1º lugar – Liviane Monteiro, DT Juvenil de Passo Fundo/RS. 2º lugar – Rosa Maria Makoski Linn, CTG Lalau Miranda de Passo Fundo/RS. 3º lugar – Veridiana da Rosa Gomes, CTG Lalau Miranda de Passo Fundo/RS. Declamação Masculina Adulta 1º lugar – Neiton Bittencourt Perufo, CTG Laço Velho de Bento Gonçalves/RS. 2º lugar – Luiz Fabrício Trindade, CTG Lalau Miranda de Passo Fundo/RS. 3º lugar – Leonardo Andrade, Grupo Tebanos do Igaí de Passo Fundo/RS. Danças Tradicionais Adulta 1º lugar – CTG Campos dos Bugres de Caxias do Sul/RS. 2º lugar – CTG Lalau Miranda de Passo Fundo/RS. 3º lugar – CTG Francisco Casalini de Coronel Barros/RS. Danças Tradicionais Juvenil 1º lugar – CTG Lalau Miranda de Passo Fundo/RS. 2º lugar – Grupo Tebanos do Igaí de Passo Fundo/RS. 3º lugar – GAN Lagoa Vermelha de Lagoa Vermelha/RS. Danças Tradicionais Mirim 1º lugar – CTG Lalau Miranda de Passo Fundo/RS. 2º lugar – Grupo Tebanos do Igaí de Passo Fundo/RS. 3º lugar – GTF Guapos da Agronomia de Passo Fundo/RS, Gaita de Botão Adulto 1º lugar – Ana Maria Zornitta Alencar, CTG Coxilha do Quero-Quero de Chapecó/SC. 2º lugar – Anselmo Silveira da Silva, DT Clube Recreativo Juvenil de Passo Fundo/RS. Gaita de Botão Juvenil 1º lugar – Gabriel Santos Branco, CTG Herança Gaúcha de Chapecó/SC. 2º lugar – André Luis Melo Godinho, GAN Lagoa Vermelha de Lagoa Vermelha/RS. 3º lugar – Luis Eduardo Zonta Lima, GAN Lagoa Vermelha de Lagoa Vermelha/RS. Gaita de Botão Mirim 1º lugar – Mateus S. Dalpra, CTG Tio Carlo de São Marcos/RS 2º lugar – Marco Antônio Vieira, CTG Tropeiro Lagoense de André da Rocha/RS. Gaita Piano Mirim 1º lugar – Felipe Granemann de Lima, CTG Porteira da Amizade de Caçador/SC. 2º lugar – Mateus Luiz Rodrigues Dalpra, CTG Tio Carlo de São Marcos/RS. 3º lugar – Maiara Marcolin Borges, CTG Sentinela da Querência de Vacaria/RS. Gaita Piano Juvenil 1º lugar – Erik Fialho Hoffmann, GAN Lagoa Vermelha de Lagoa Vermelha/RS. 2º lugar – Paulo Henrique Panazzolo de Albuquerque, CTG Campo dos Bugres de Caxias do Sul/RS. 3º lugar – Tiago Faran, CTG Galpão da Saudade de Flores da Cunha/RS. Gaita Piano Adulto 1º lugar – Alan dos Reis Zotti, GC Gaúchos de 35 de Vacaria/RS. 2º lugar – Carlos Alberto Ceccagno Vivan, CTG Querência do Prata de Nova Prata/RS. 3º lugar – Diego Hebler, CTG Tropeiros da Fé de Ibiaçá/RS Solista Vocal Feminino Mirim 1º lugar – Tayna dos Reis Soares, GC Gaúchos de 35 de Vacaria/RS. 2º lugar – Caroline Elizabete de Souza Lima, CTG Porteira do Rio Grande de Vacaria/RS. 3º lugar – Jéssica Carvalho dos Santos, CTG Porteira do Rio Grande de Casca/RS. Solista Vocal Feminino Juvenil 1º lugar – Francieli Pereira Simor, Grupo Tebanos do Igaí de Passo Fundo/RS. 2º lugar – Priscila Ceccagno Vivan, CTG Querência do Prata de Nova Prata/RS. 3º lugar – Aline Pimentel Raffo, CTG Porteira do Rio Grande de Vacaria/RS. Solista Vocal Feminino Adulto 1º lugar – Emanuele de Matos Oriotote, DT Clube Recreativo Juvenil de Passo Fundo/RS. 2º lugar – Daniele Polo, GAN Lagoa Vermelha de Lagoa Vermelha/RS. 3º lugar – Ana Flavia Szimanski Cago, DTG Marca Gaúcha de Porto Alegre/RS. Solista Vocal Masculino Adulto 1º lugar – Rodrigo Cavalheiro, Grupo Tebanos do Igaí de Passo Fundo/RS. 2º lugar – Fabiano Dias, CTG Alfredo D’Amore de Carazinho/RS. 3º lugar – Dalvenir do Nascimento Lima, Grupo Tebanos do Igaí de Passo Fundo/RS. Solista Vocal Masculino Juvenil 1º lugar – André Luis Melo Godinho, GAN Lagoa Vermelha de Lagoa Vermelha/RS. 2º lugar – Maicon Rodrigues Silveira, CTG Campo dos Bugres de Caxias do Sul/RS. 3º lugar – Matheus Provin, CTG Alexandre Pato de Lagoa Vermelha/RS. Solista Vocal Masculino Mirim 1º lugar – Jonatan Moraes de Oliveira, CTG Sentinela da Querência de Vacaria/RS. 2º lugar – Claudiomir Lira de Lima Junior, CTG Porteira do Rio Grande de Vacaria/RS. 3º lugar – Mateus Junior Guardalbem, DCT Herança Gaúcha de Lagoa Vermelha/RS. Declamação Masculina Juvenil 1º lugar – Carlos Eduardo Bueno Junior, CTG Querência do Prata de Nova Prata/RS. 2º lugar – Paulo R. Salvatti, CTG Rancho da Integração de Vacaria/RS. 3º lugar – Guilherme Wandscheer, CTG Unidos Pela Tradição Rio-grandense de Carazinho/RS. Declamação Feminina Juvenil 1º lugar – Indiana Tedesco Saugo, CTG Rodeio da Amizade de Parai/RS. 2º lugar – Ana Paula Simionato Ciota, CTG Rancho da Integração de Vacaria/RS. 3º lugar – Mayara Monteiro, GAN Lagoa Vermelha de Lagoa Vermelha/RS. Declamação Feminina Mirim 1º lugar – Joana Silvestri, CTG Rodeio da Amizade de Parai/RS. 2º lugar – Giovana Lima Michelon, CTG Querência do Socorro de Vacaria/RS. 3º lugar – Mariana Telles Dias, CTG Porteira do Rio Grande de Vacaria/RS Declaração Feminina Mirim 1º lugar – Tainá Luciana Amaral de Souza, CTG Unidos Pela Tradição Rio-grandense de Carazinho/RS. 2º lugar – Aliciane de Oliveira, CTG Alexandre Pato de Lagoa Vermelha/RS. Declamação Masculina Mirim 1º lugar – Pedro Antonio Guaragni, CTG Herança Gaúcha de Chapecó/SC. 2º lugar – Mateus Dal’Agnol Jacques, CTG Querência do Prata de Nova Prata/RS. 3º lugar – Adriano Fermino de Ávila, CTG Anita Garibaldi de Lages/SC. Chula Mirim 1º lugar – Claudiomir Lira de Lima Junior, CTG Porteira do Rio Grande de Vacaria/RS. 2º lugar – Herick Rossi, CTG Lalau Miranda de Passo Fundo/RS. 3º lugar – Lucas Brito Alves, CTG Lalau Miranda de Passo Fundo/RS. Chula Juvenil 1º lugar – Erik Fialho Hoffmann, GAN Lagoa Vermelha de Lagoa Vermelha/RS. 2º lugar – Willian Lautenscalager, CTG Lalau Miranda de Passo Fundo/RS. 3º lugar – Marcos Alexandre Z. Ferreira, CTG Herança Gaúcha de Chapecó/SC. Chula Adulta 1º lugar – Vinicius de Andrade Bizarro, GAN Cabo Toco de Ijuí/RS. 2º lugar – Pedro Kikuchi, CTG Porteira do Rio Grande de Vacaria/RS. 3º lugar – Willian Dal Bosco Alves, GAN Lagoa Vermelha de Lagoa Vermelha/RS. Trova Campeira – Mi Maior de Gavetão 1º lugar – Antonio M. De Almeida Canhoto, CTG Eduardo Muller de Passo Fundo/RS. 2º lugar – José Adelino Ramos da Silva, CTG Manoel Teixeira de Tapejara/RS. 3º lugar – José Henrique Pereira Soares, CTG Neco Goulart de Ciríaco/RS. Danças Tradicionais Xirú 1º lugar – CTG Lalau Miranda de Passo Fundo/RS. 2º lugar – CTG Laço da Amizade de Casca/RS. Incrições encerradas.